quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Queria me contentar com menos

Queria me contentar com menos. Não com pouco, mas com menos. Aceitar a rotina como um presente, uma dádiva que poucas pessoas têm, de acordar e viver o mesmo dia todo dia. Ter sempre os mesmos problemas e por isso, ter as soluções certas. Queria não ter vontade de mudar o cabelo e manter o mesmo corte por décadas. Ou apenas encrespá-los. Acho tão mais bonito. Queria ter algumas manias que não se tornassem irritantes com o tempo, mas apenas bonitinhas pra quem vê. Queria ser mais calma, quase acomodada. E não impetuosa e passional. Queria me satisfazer conversando sobre maquiagens e liquidações. Queria não desejar o novo, o desconhecido. Queria não buscar desvendar todos os mistérios e não cavoucar respostas para todas as questões. Queria não gostar de frio na barriga e não ter a necessidade de experimentar sabores diferentes. Queria me contentar com axés e fanques. Acompanhar micaretas por todo o Brasil, garantindo minha diversão simples e saltitante, com letras que não me façam pensar. Queria saber ser mais cínica, porque falar a verdade dá trabalho e preguiça, mas não sei disfarçar. Queria me contentar com o que as pessoas acham que é satisfatório. Queria poder dizer que preferiria ser medíocre a questionar tanto, mas quem disse que não sou medíocre? Queria aceitar o contentamento, porque afinal, contentar-se deve ter tudo a ver com ser contente. Mas que merda.
Estou sempre em busca do tesouro perdido, do amor infinito, do fim do arco-íris, da sinceridade...

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