quinta-feira, 30 de abril de 2020

In sex we trust

Depois que o pior passar, vai ficar um medo residual, não?
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Sim. Imagine como será para o público que frequenta shoppings, cafés e outros ambientes fechados. Mas in sex we trust (no sexo confiamos). Veja só: em Roma, o Papa suspendeu as missas uma semana antes de os grandes clubes de swing fecharem. O sexo resistiu uma semana a mais do que o Papa. Também na volta, é o que vai nos dar a coragem. O sexo é o que nos leva a modular, para não dizer quebrar, a quarentena. A maioria das pessoas pensa a quarentena em termos de “queria dar uma volta, ir ao bar, não aguento mais, as crianças estão sem aula”. Mas esquecemos os acidentados do sexo e do amor. Você imagina como caiu (o distanciamento social) para alguém que estava sozinho há um ano e meio e recém tinha começado um namoro? Ou para um casal que estava à beira de se separar? Sexo, aliás, é um dos principais assuntos entre meus pacientes. Perguntam se transar é permitido agora, dizem que não vão beijar, querem saber se faz diferença fazer vestido, por trás, em cima da mesa... Eu me encontrei em mais de uma situação tentando elaborar um kama sutra para tempos de coronavírus. Sou bastante indulgente com isso. Lembro que no início da epidemia de aids, nos anos 1980, nada era permitido. Nem sexo oral. As pessoas ficavam loucas. O efeito de tanta proibição foi negativo, “prefiro me contaminar logo”, pensavam alguns. Sexo e amor são muito importantes. A literatura está cheia de exemplos de que o sexo e o amor nos levam a arriscar a vida, não hesitamos muito.

- entrevista com o psicanlista Contardo Calligaris

20 horas de silêncio por dia

20 HORAS DE SILÊNCIO POR DIA Fabrício Carpinejar  Não é hora de brincar. Não é hora de ser irônico. Não é hora de fazer piada. Não...