sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Eduardo Haak


COMO é chatinho esse tal de idealismo juvenil. Eu nunca fui um idealista juvenil. As pessoas pensam o contrário sobre mim. Pois eu reafirmo: não, nunca fui um idealista. O que talvez possa dar margem a alguma interpretação equivocada é que, por muitas vezes o realismo não ter me favorecido pessoalmente, eu acabei entrando muitas vezes em alguma forma de negação da realidade em si. O negócio é o seguinte: é fácil ser realista quando se é rico, bonito, simpático, saudável, etc. E, já que não existe ser humano que consiga ser tudo isso ao mesmo tempo, eu diria que ser realista é uma das coisas mais difíceis que tem. Exige estômago, tutano e, mais do que tudo, caráter.
Essas idéias vêm mais ou menos rondando minha cabeça desde que reli, por esses dias, O Encontro Marcado, romance que o Fernando Sabino lançou em 1956 e que vem exercendo desde então um fascínio plenamente justificado por gerações e gerações de leitores. É um daqueles livros em que o protagonista se faz todas as perguntas fundamentais do ser humano. Mais do que se fazer tais perguntas, se lança em busca por respostas no único âmbito em que talvez essas respostas podem ser encontradas: na vida, na vida propriamente dita, na crua e insofismável realidade das coisas.
O protagonista do livro é Eduardo Marciano, alter ego de Sabino. Seu amigos de adolescência, Mauro e Hugo, correspondem a Hélio Pellegrino e Otto Lara Resende, respectivamente. Antonieta, mulher de Eduardo, é Helena Valladares. Toledo, um dos personagens mais importantes da história, mentor do jovem Eduardo (e do moço Eduardo, e do adulto Eduardo), corresponde a Guilhermino César. Na adolescência, Mauro, Hugo e Eduardo estão, em tese, pau a pau em matéria de maturidade emocional e intelectual. Não que eles sejam lá grande coisa – no fundo e no raso não passam de uns bobinhos provincianos cheios de literatices na cabeça macaqueando palavras de ordem que artistas de vanguarda europeus haviam pronunciado cinqüenta anos antes deles. Bem, façamos justiça ao púbere Eduardo: a despeito das molecagens a que se entrega na companhia dos dois amigos, ele já dá mostras de ter uma personalidade muito mais profunda do que a dos outros dois. Não sei muito o que dizer sobre Hugo, um personagem com contornos vagos demais na história. Mauro, porém, é o típico molecote revoltadinho contra a ordem estabelecida, um daqueles caras cheios de chavões na ponta da língua, sempre a denunciar a hipocrisia da igreja, a injustiça do sistema, a chamar os outros de vendidos e coisas do gênero. Mauro, em suma, é um idealista juvenil. Sua percepção das coisas é vulgar, primária. Ele opta por uma simplificação ordinária das complexas questões que norteiam o ser humano, abraçando um humanismo xexelento, meio marxista, como ideologia. Mauro berra, estrebucha, mas no fundo é evasivo, está sempre lavando as mãos. Mauro não tem, em suma, caráter pra enfrentar a vida sem essas muletas ideológicas. Se alguém tinha alguma dúvida do que o destino viria a reservar a esse moço de fino trato, eu não tinha: ele vira um medicozinho meia-boca, trabalha tirando raio-x num pronto-socorro, casa, tem filhos, não quer mais saber de nada. Vira um realista, em suma. Um realista dos mais reles.
A jornada pessoal de Marciano, em contrapartida, se densifica a cada instante. Seu casamento com Antonieta desmorona. Amigos morrem em situações dramáticas, real e simbolicamente – um, por exemplo, que tinha sido campeão de natação e morre num desastre aéreo, afogado. Questões se acumulam, irrespondíveis. Em meio a essa bagunça toda, esse caos, Eduardo consegue eleger um valor, uma meta que será crucial a ele: o valor de se conquistar uma convicção.
Convicção. Me vem à cabeça agora o – na minha opinião – texto mais pungente, brilhante e belo que o Sabino escreveu, Diante do Espelho (crônica indispensável, indispensável, que fecha o livro Deixa o Alfredo Falar!). O texto, entre outras coisas, chega exatamente a esse ponto: a necessidade de, na vida, conquistarmos uma convicção. Convicção, caráter. Transigir ou não transigir? Cedo ou tarde todo mundo transige, isso não é problema. A questão, talvez – a questão que serve para o Eduardo Marciano, para o Sabino, para mim e, seguramente, pra você, caro leitor –, a questão talvez então seja essa: jamais perdermos a noção, mesmo dolorosa, de nossas transigências. Jamais esquecermos do que nos levou a transigir. Transigimos, sim. Por decisão pessoal, única e exclusivamente nossa. Coisa a que os Mauros da vida, estou certo disso, sequer atinam.




Clube Da Esquina


Sem querer fui me lembrar
De uma rua e seus ramalhetes
Do amor anotado em bilhetes
Naquelas tardes...

No muro do Sacré Coeur
De uniforme e olhar de rapina
Nossos bailes no Clube da Esquina
Quanta saudade!

Muito prazer
Vamos dançar
Que eu vou falar no seu ouvido
Coisas que vão fazer você
Tremer dentro do vestido

Vamos deixar tudo tocar
E o som dos Beatles na vitrola

Será que algum dia eles vem aqui
Cantar as canções que a gente quer ouvir
.

Inspirado nesta rua, no final dos anos 1960, o cantor e compositor Tavito compôs Rua Ramalhete:




O Clube da Esquina - Movimento Musical Mineiro surgido em Belo Horizonte nos anos 1960 e composto por Milton Nascimento, Márcio Borges, Lô Borges, Wagner Tiso, Fernando Brant, Beto Guedes, Flávio Venturini, Toninho Horta, Tavito e muitos outros. Eles se reuniam para discutir a situação política da época, pois acreditavam poder mudar as pessoas com a força da música.
Esta turma se reunia sempre para beber, fazer música, beber, fazer críticas ao regime militar, beber, cantar e... beber.



Ainda hoje, alguns cantores se reúnem no Bar Brasil, no bairro Funcionários, onde tive a oportunidade de ir e me encontrar com um dos velhos componentes, Beto Guedes (Quando entrar setembro.... e a boa nova.....), que faz de lá sua volta ao passado.

Dica


Encontrei casualmente este lugarzinho adorável, ótimo para ser visitado (com tempo) para garimpar e redescobrir tesouros da música. Adorei e recomendo.
Álvares Cabral, 373 - Esquina Bahia.
"A Minha Vida é Esta: Subir Bahia e Descer Floresta", do compositor Rômulo Paes: velho ditado conhecido dos belorizontinos, em monumento localizado na Rua da Bahia.

O Homem do Futuro e do Passado, Presente no Agora.



"Partindo do princípio que o homem é produto de um processo, temos que levar em consideração a educação como parte desse processo. Claro que não somos o que lemos, não somos o que aprendemos e, sim, o que experenciamos. Daí surge a sabedoria. Porém não devemos menosprezar a sabedoria nata que trazemos através de nosso diferencial individual. A diversidade ideológica, considerando o ponto de vista de cada ser humano, é que traz o acréscimo em nosso crescimento. Logo somos uma unificação do que sentimos com o que aprendemos. Uma criança em formação necessita de base a qual interage em suas ações. Toda criança passa por processos ideológicos, por isso possuem comportamentos diferenciados mesmo fazendo parte do mesmo grupo. Por exemplo, os irmãos de uma mesma família, onde tendo o mesmo pai e mãe, manifestam características diferentes sob o mesmo processo educacional.

Refiro-me à educação no sentido de encaminhamento cuja responsabilidade inical é dos pais seguidamente com a escola. Visto por este ângulo, existem crianças mais e menos estimuladas em suas ideologias, o que faz a diferença comportamental final, pois se tudo é um processo cabe identificarmos qual processo educacional passa a criança para que se desenvolva dentro de uma perspectiva aceitável em nossa sociedade.

Porém, o homem do passado e do futuro está se apresentando no homem do agora, onde existe uma contestação por parte de pais, professores e da própria criança em questão. O que está acontecendo nesta “Zona Nula” onde existe esse encontro de necessidades e de insatisfações dentro de um processo de apredizado?

Vou expor a visão de alguns sábios preocupados com o futuro do homem para que possamos nos identificar de alguma forma e para que saibamos como dissolver o que está bloqueando o entendimento de ambas as épocas – homem do passado e o homem do futuro - dentro do processo educacional como base de estímulo para a formação do homem.

No mundo de hoje, insolúveis e incontáveis problemas têm surgido devido às errôneas políticas de educação. O sitema educacional atual se move em direção errada no mundo. Perguntas surgem no sentido de saber quem é responsável por isso.

Ninguém pode ser responsável individualmente. Os pais, em casa, os professores em instituições educacionais e os líderes da nação – todos juntos são responsáveis por esse anômalo crescimento da educação. A primeira e mais importante tarefa do homem é entender o valor da educação. Ela está sendo confundida com a aquisição de escolaridade verbal. Muitos lêem livros, mas o simples conhecimento destes, não é educação.

A educação não está confinada à leitura, escrita e escutada. Diplomas não constituem verdadeiras marcas de aprendizado. Diplomas não fazem uma pessoa educada. O conhecimento do conteúdo de pilhas de livros não fazem uma pessoa educada. A educação real deve promover a preocupação pelo bem estar dos outros e somente por isso deve ser julgada. A educação verdadeira consiste no cultivo do coração.

O conhecimento acadêmico, por si só, não apresenta grande valor. Pode ajudar as pessoas a ganhar a vida. Mas a educação deve ir além do que uma preparação para ganhar a vida. A idéia de que educação serve para conseguir um emprego é uma visão limitada. Aos invés disso, ela deve preparar a pessoa para a vida e, não, meramente para a sobrevivência. A educação não para ganhar, mas para conduzir a uma vida de bem. Toda educação que divulga o conhecimento mundano e o desenvolvimento de atividades intelectuais, mas não promove o caráter é profundamente sem valor.

As autoridades educacionais estão na ilusão de que a educação está progredindo rapidamente. O aumento do número de instituições educacionais ou do número de alunos que ingressam em escolas e faculdades não são verdadeiros indicadores do crescimento da educação. O real progresso está em melhorar a qualidade dos padrões de ensino. Se o quadro educacional é observado desse ponto de vista pode-se perceber que há um abismo no modelo de educação. Um número crescente de pessoas está procurando a educação, não para aprender, mas para conhecer os meios de gratificar seus desejos.

Este é o progresso com o qual estamos encantados. Certamente todo ser humano precisa ser educado, independentemente de raça, religião, casta, cor ou credo. Mas como a ingênua mãe que fica feliz quando um membro de seu filho incha devido à doença, acreditando que ele está ficando forte, nós também nos enganamos em relação ao fato de que esse aumento em tamanho e em número é um sinal de um desenvolvimento saudável. Na verdade, estamos testemunhando uma doença que resulta em debilidade, mesquinhez, ódio e inveja. As pessoas que são educadas por essas instituições, com o tempo, ocupam posições de autoridade e influência. Como a condição do mundo pode se tornar melhor? Devido à ausência de caráter e moralidade na educação, as pessoas educadas estão se comportando de um modo inconveniente. A educação imprópria produz um grande prejuízo para toda a nação." Sai Baba.


Este quadro apresentado através da Fundação Bhagavan Satthya Sai Baba do Brasil teve sua primeira edição em 1997 e já estampava a situação educacional no mundo. Este texto demonstra qual o real valor da educação que nós pais e professores oferecemos a nossos filhos. E quais os resultados com os quais já nos deparamos hoje.

O método tradicional conteudista foi muito bem aceito por nossas crianças no passado. Não há condenação sobre o método aqui. Nossas crianças demonstram novo comportamento e exigem nova abordagem metodológica."O processo educacional é basicamente um grande esforço. Temos muitas lições pra aprender, muitos pontos a anotar enquanto tentamos melhorar. Nos tempos antigos a excelência moral era o objetivo desse esforço. Esse objetivo deve ser mantido ainda hoje. A promoção dos valores humanos deve tornar-se uma parte integrante no processo educacional. O cultivo da virtude é mais importante que a mera aquisição de conhecimentos. A educação deve servir não só para desenvolver a inteligência e as habilidades de alguém, mas para ajudar a ampliar sua perspectiva, tornando-a útil à sociedade e ao mundo em geral. Aprendemos muitas coisas mas nosso conhecimento sobre elas é muito superficial. Saber poucas coisas intensiva e profundamente, é um indicativo de uma educação correta."Atualmente a educação material tem crescido muito rapidamente. Assim como a não integração na personalidade do educando. Há dois importantes aspectos sobre a educação. Um é matéria; o outro, energia. Um é físico; o outro, espiritual. Um explica o assunto material. O outro ajuda a adquirir uma personalidade nobre e a desabrochar a vida do homem numa bela flor. Um é a exposição dos fatos relacionados à qualquer matéria. O outro é o desdobramento da personalidade individual. A educação verdadeira deverá tentar ambos os apectos, tanto o mundano quanto o espiritual. A educação não deve se limitar à mera informação, mas deve ser dirigida para preencher a vida do homem com amor puro, bem como transformar seu coração.

A educação não deve se satisfazer em apenas construir um homem a partir de si mesmo, mas deve ajudá-lo a manifestar sua divindade latente.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Navegue - Silvana Duboc


Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá.
Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.
Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor é para todos.
Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.
Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode molhar só o seu.
As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces.
O sorriso! Esse você deve segurar, não o deixe ir embora, agarre-o!
Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias!
Quem você ama é a maior jóia de sua vida, a mais valiosa.
Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é outro, se a idade aumenta; conserve a vontade de viver, não se chega à parte alguma sem ela.
Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.
Persiga um sonho, mas não o deixe viver sozinho.
Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho.
Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas.
Procure, sempre procure, o fim de uma estória, seja ela qual for.
Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso.
Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam.
Olhe para o lado, alguém precisa de você.
Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca.
Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.
Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também.
Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a!
Se perder um amor, não se perca!
Se achá-lo, segure-o!

Silvana Duboc

***
“Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada”. (Fernando Pessoa)
***
“Por raro que seja um verdadeiro amor, é mais rara ainda a verdadeira amizade” (La Rochefoucauld)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Confie na Vida!!


“Não desperdice a sua vida com aquilo que lhe vai ser tirado” – Osho

Quantos de nós não passam a vida inteira segurando tudo em nossas mãos, acumulando tensões, medos, inseguranças? Prendemos pessoas que amamos, acontecimentos que não superamos, coisas materiais... Ficamos ansiosos só de imaginar que poderemos perder o objeto de nossa atenção e afeição, como se dependesse somente de nós o seu bem-estar e segurança! Osho diz: “Não desperdice a sua vida com aquilo que lhe vai ser tirado” e completa: “porque aquilo que lhe pode ser tirado, não vale a pena ser guardado”. Ora, nós nos apegamos tanto às pessoas que se, porventura, uma delas resolver nos deixar, sofremos terrivelmente. Acreditamos que foi nossa culpa; que não suprimos as necessidades daquele indivíduo; que deixamos a desejar.
Obviamente que toda dor nos traz oportunidades de reflexão, reconhecimento das falhas que cometemos, meios para evoluirmos ainda mais. Porém, se alguém que amamos nos deixa, antes de pensarmos que ela se foi porque não somos bons o bastante, vamos acreditar que ela se foi porque já não tem mais nada a nos oferecer e tampouco nós a ela.
As pessoas só permanecem juntas enquanto agregam umas às outras, mesmo que este “agregar” seja fonte de constantes conflitos, porque as discussões e revoltas também nos impelem para frente. Já a indiferença e a rotina nos deixam parados no mesmo ponto, nos levando inevitavelmente ao tédio e à angústia.Por isso, se você sentir que chegou num ponto crucial como esse, deixe ir os acontecimentos, as pessoas, os objetos. Se eles nada mais têm para contribuir com sua vida e seu crescimento, liberte-os. Manter todas essas coisas dentro da sua esfera de controle, só fará de você uma pessoa pesada, esgotada, pois carregar tudo isso nas costas é uma espécie de fardo que, ao invés de lhe deixar mais forte, só esgota suas forças e lhe faz desistir antes de chegar ao seu destino.
Procure também sempre aprender com as pessoas com as quais convive: familiares, companheiros, amigos, inclusive adversários. Nós os aproximamos com nossa freqüência mental. Se todas essas pessoas estiverem lhe trazendo desgostos, tente entender primeiro a maneira como você enxerga a si mesmo. Com certeza, à medida que você for evoluindo como ser humano, irá aproximando pessoas que estão perseguindo os mesmos objetivos e sonhos e que, certamente, estarão dispostos a lhe auxiliar no seu próprio caminho.
Confie na vida! Ela sempre nos oferece o que precisamos, e nos tira aquilo que se tornou inútil.

Não me importo eu gosto mesmo assim...

Olha - Roberto Carlos

Olha você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei prá mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim
Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui
Olha você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
E eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é prá valer
Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante, meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor

Interrompendo as buscas

Martha Medeiros - Jornal O Globo - 20/02/2005

ASSISTINDO AO ÓTIMO "CLOSER - Perto demais", me veio à lembrança um poema chamado "Salvação", de Nei Duclós, que tem um verso bonito que diz: "Nenhuma pessoa é lugar de repouso". Volta e meia este verso me persegue, e ele caiu como uma luva para a história que eu acompanhava dentro do cinema, em que quatro pessoas relacionam-se entre si e nunca se dão por satisfeitas, seguindo sempre em busca de algo que não sabem exatamente o que é. Não há interação com outros personagens ou com as questões banais da vida. É uma egotrip que não permite avanço, que não encontra uma saída - o que é irônico, pois o maior medo dos quatro é justamente a paralisia, precisam estar sempre em movimento. Eles certamente assinariam embaixo: nenhuma pessoa é lugar de repouso.

Apesar dos diálogos divertidos, é um filme triste. Seco. Uma mirada microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a nos oferecer: um amplo leque de opções sexuais e descompromisso total com a eternidade - nada foi feito pra durar. Quem não estiver feliz, é só fazer a mala e bater a porta. Relações mais honestas, mais práticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraíso, mas o fato é que saímos do cinema com um gosto amargo na boca.

Com o tempo, nos tornamos pessoas maduras, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos tantas ilusões. Sabemos que não iremos encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguirá corresponder 100% a todas as nossas expectativas sexuais, afetivas e intelectuais. Os que não se conformam com isso adotam o rodízio e aproveitam a vida.


Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, não? O problema é que ninguém é tão maduro a ponto de abrir mão do que lhe restou de inocência. Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resquícios dos contos de fada. Mesmo a vida lá fora flertando descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo "leve dois, pague um", também nos parece tentadora a idéia de contrariar o verso de Duclós e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas.

Não há nada de errado em curtir a mansidão de um relacionamento que já não é apaixonante, mas que oferece em troca a benção da intimidade e do silêncio compartilhado, sem ninguém mais precisar se preocupar em mentir ou dizer a verdade. Quando se está há muitos anos com a mesma pessoa, há grande chance de ela conhecer bem você, já não é preciso ficar explicando a todo instante suas contradições, seus motivos, seus desejos. Economiza-se muito em palavras, os gestos falam por si.

Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso? Longas relações conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira pátria do outro. Amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de emoções. Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso.

Preguiça de voltar à ativa? Muitas vezes, é. Mas também, vá saber, pode ser amor.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Certezas - Mário Quintana

Não quero alguém que morra de amor por mim...

Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.

Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.

Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim...

Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível...E que esse momento será inesquecível...Só quero que meu sentimento seja valorizado.

Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre...E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.

Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém...e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.

Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho...

Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento...e não brinque com ele.

E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.

Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe...Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.

Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.

Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas...Que a esperança nunca me pareça um NÃO que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como SIM.

Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros... Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão...Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena.

domingo, 24 de fevereiro de 2008


A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.

Mário Quintana

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Pequenos gestos

É curioso observar como a vida nos oferece resposta aos mais variados questionamentos do cotidiano...

Vejamos:
A mais longa caminhada só é possível passo a passo...
O mais belo livro do mundo foi escrito letra por letra...
Os milênios se sucedem, segundo a segundo...
As mais violentas cachoeiras se formam de pequenas fontes...
A imponência do pinheiro e a beleza do ipê começaram ambas na simplicidade das sementes...
Não fosse a gota e não haveria chuvas...
O mais singelo ninho se fez de pequenos gravetos e a mais bela construção não se teria efetuado senão a partir do primeiro tijolo...
As imensas dunas se compõem de minúsculos grãos de areia...

Como já refere o adágio popular, nos menores frascos se guardam as melhores fragrâncias...
É quase incrível imaginar que apenas sete notas musicais tenham dado vida à "Ave Maria", de Bach, e à "Aleluia", de Hendel...

O brilhantismo de Einstein e a ternura de Tereza de Calcutá tiveram que estagiar no período fetal e nem mesmo Jesus, expressão maior de Amor, dispensou a fragilidade do berço...

... Assim também o mundo de paz, de harmonia e de amor com que tanto sonhamos só será construído a partir de pequenos gestos de compreensão, solidariedade, respeito, ternura, fraternidade, benevolência, indulgência e perdão, dia a dia...

Ninguém pode mudar o mundo, mas podemos mudar uma pequena parcela dele:
esta parcela que chamamos de "Eu".
Não é fácil nem rápido...
Mas vale a pena tentar!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Aproveite o dia!

"Carpe Diem"


Carpe Diem" quer dizer "colha o dia". Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente.

Apesar de tudo


Apesar de tudo
Martha Medeiros


Apesar de tudo, continuamos amando, e este "apesar de tudo" cobre o infinito.
Esta frase do filósofo Cioran expressa a extensão dos nossos obstáculos amorosos.

Apesar de termos acreditado na eternidade dos nossos sentimentos e depois descobrirmos que nada mantém-se estável por muito tempo, continuamos amando.

Apesar de termos sofrido noites inteiras por amores que não se concretizaram ou que foram vagos ou pueris, continuamos amando.

Apesar de termos sido rejeitados, apesar de o nosso amor não ter sido suficiente para encantar o outro e fazê-lo permanecer ao nosso lado, continuamos amando.

Apesar de todos os livros escritos, todas as sentenças filosóficas, todas as análises terapêuticas e todos os exemplos de paixões falidas, continuamos amando.

Apesar de não termos mais 15 anos e estarmos numa idade em que os outros acreditam que o nosso coração envelheceu, continuamos amando.

Apesar de a pessoa que a gente ama sentir por nós um amor de amigo, um amor fraterno, um amor camarada que nada faz lembrar o amor ardente que a gente deseja e sonha, continuamos amando.

Apesar de a gente saber que o amor acaba, que o amor talvez nem seja pelo outro, mas apenas uma projeção do amor que a gente tem por nós mesmos, continuamos amando.

Apesar da falta de grana, das desilusões com a política, do cansaço no final do dia, dos projetos que não foram adiante, do tempo que nos falta e do medo que nos sobra, continuamos amando.

Apesar da chuva que não permite o passeio de mãos dadas, do espaço compartilhado que não
permite privacidade, da desaprovação dos que nada têm a ver com o assunto, continuamos amando.

Infinitamente, apesar de tudo e todos e apesar de nós mesmos, continuamos amando ...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Que fofo!!

" Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos." (Shakespeare)

"Viver não dói"




Fiquei sabendo que um poeta mineiro que eu não conhecia, chamado Emilio Moura, teria completado 100 anos neste mês de agosto, caso vivo fosse. Era amigo de outro grande poeta, Drummond. Chegaram a mim alguns versos dele, e um em especial me chamou a atenção:

"Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive".

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais. "

Pros amores impossíveis, tempo...


Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

(Autoria atribuída a Luís Fernando Veríssimo, mas que ele mesmo diz ser de Sarah Westphal Batista da Silva, em sua coluna do dia 31 de março de 2005 do jornal O Globo)

Não precisa ser para sempre, mas precisa ser até o fim!



‘Para sempre’, em minha opinião, é nada mais nada menos que um dia depois do outro. Ou seja, é construção. Em princípio, não existe. Mas basta que façamos a mesma escolha sucessivamente e teremos construído o ‘para sempre’.
O que quero dizer é que o ‘sempre’ não é magia nem tampouco um tempo que pré-exista. Ele é conseqüência. Nada mais que conseqüência de uma sucessão de dias, vividos minuto por minuto.
Quanto ao amor, tem gente que acredita que só é de verdade se durar “até que a morte os separe”. Outras, como o grande Vinícius de Moraes poetizou, apostam no “que seja eterno enquanto dure”.
Eu, neste caso, admiro a coragem de quem vai até o fim, de quem se entrega inteiramente ao que sente, de quem se permite viver aquilo que seu coração pede até que todas as chamas se apaguem. Mais do que isso: até que as brasas esfriem e – depois de todas as tentativas – nada mais possa ser resgatado do fogo que um dia ardeu.
Claro que não estou defendendo a constância indefinida de atitudes desequilibradas, exageros desnecessários ou situações destrutivas. Mas concordo plenamente com o que está escrito no comovente “Quase”, de Sarah Westphal (muitas vezes atribuído a Luiz Fernando Veríssimo):
... “Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar” ...
Porque de corações partidos por causa de um amor vivido pela metade as ruas estão cheias. Assim como de almas que perambulam feito pontos-de-interrogação, a se questionar o que mais poderiam ter feito para que o outro também estivesse presente, para que não fugisse tão furtivamente, tão covardemente, tão sordidamente.
É por isso que insisto: muito mais do que nos preocuparmos com o ‘para sempre’, precisamos começar a investir no ‘até o fim’, para que o ‘agora’ tenha mais significado, para que as intenções, as palavras, as atitudes e todos os recomeços façam parte de uma história mais sólida, menos prostituída, que realmente valha a pena.
Então, questione-se: o coração ainda acelera quando o outro se aproxima? O peito ainda dói de saudade? O desejo ainda grita, perturbando o silêncio da noite? Não chegou ao fim! Não acabou.
Sei que, em alguns casos, motivos de força maior impedem um amor de ser vivido (e daí a separação pode ser sinal de maturidade), mas na maioria das vezes o que afasta dois corações é muito mais intolerância, ilusões ou auto-defesas tolas do que algo que realmente justifique o lamentável desfecho.
O outro não quer? Desistiu? Acovardou-se? Ok! Por mais incoerente que pareça, é um direito dele. Esteja certo de que você fez o que estava ao seu alcance e depois... bem, depois recolha-se e pondere: “pros amores impossíveis, tempo”.
Tempo em que você terminará descobrindo que a vida tem seu jeito misterioso de fazer o amor acontecer, mas que – no final das contas – feliz mesmo é quem, apesar de tudo, tem coragem de ir até o fim!

Rosana Braga

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Quem sou eu???


Quando não temos nada de prático nos atazanando a vida, a preocupação passa a ser existencial. Pouco importa de onde viemos e para onde vamos, mas quem somos é crucial descobrir.

A gente é o que a gente gosta. A gente é nossa comida preferida, os filmes que a gente curte, os amigos que escolhemos, as roupas que a gente veste, a estação do ano preferida, nosso esporte, as cidades que nos encantam. Você não está fazendo nada agora? Eu idem. Vamos listar quem a gente é: você daí e eu daqui.

Eu sou primavera, disparado. E ligeiramente outono. Estações transitórias.
Sou Martha Medeiros. Sou Rosana Braga. Sou Caêtano Veloso, Chico Buarque. Sou Clara Nunes . Sou samba. Sou música brasileira.

Sou pães, massas, queijos, vinhos, sou água muito água.
Sou paisagem bucólica, sou roça. Sou chocolate, sou bala delícia com recheio de nozes. Sou suco natural. Sou salada, mais também sou feijoada. Sou galinhada. Sou torta de morango e chocolate. Sou filé ao molho madeira, com batatas douradas. Sou pizza de tomate seco com bastante azeite. Do churrasco, sou a gordurinha da picanha.

Sou livros. Sou O Morro dos Ventos Uivantes de Ëmili Brant. Sou discos. Dicionários. Sou Internet. Já fui muito tevê, hoje não passo nem perto. Sou Cinema. Teatro. Dança. Músicais. Ópera. Sou Grupo Corpo.

Sou todas as cores. Sou cabelo anelado. Sou jeans. Sou balaio de saldos. Sou ventilador de teto. Sou jeep. Sou à pé.

Você está fazendo sua lista? Tô esperando.

Sou tapetes e panos. Sou abajur e almofadas. Sou banho tinindo. Hidratantes. Não sou musculação, sou caminhada. Sou cachoeira, sou mar. Não sou areia.

Sou mais cama que mesa, mais dia que noite, mais flor que fruta, mais doce que salgado, mais música que silêncio, mais pizza que banquete.

Sou amor a primeira vista, sou amor para sempre. Sou amigos queridos de longas datas, sou risada escandalosa, de vez em quando sou palavrão, sou pés descalço, cara lavada, cabelo despenteado.

Agora é sua vez.

Martha Medeiros


"Adoro massas cinzentas, detesto cor-de-rosa. Não me considero vítima de nada. Sou autoritária, teimosa, impulsiva e um verdadeiro desastre na cozinha. Peça para eu arrumar uma cama e estrague meu dia. Vida doméstica é para os gatos."

"Não voltaria no tempo para consertar meus erros, não voltaria para a inocência que eu tinha - e tenho ainda. Terei saudades da ingenuidade que nunca perdi? Não tenho saudades nem de um minuto atrás. Tudo o que eu fui prossegue em mim."

"O melhor seria aceitarmos que todo paraíso precisa um pouco de inferno. Agir direito é uma coisa, mas temos que ficar de olho nos que tentam "redesenhar" o mundo, apagando cigarros ou qualquer vestígio da nossa desajeitada humanidade. Se ficarmos muito bonzinhos, muito certinhos, muito perfeitinhos, acabaremos perdendo o que nos resta de humor."

"E amigo é isso: aquele que a presença conforta sem precisar de muito gesto ou dramatização."

"Amar cria raiz, sim. Cria, independentemente de ser verbalizado. Basta sentir o amor para que fiquemos dependentes dele, uma dependência boa, daquilo que nos faz sentir vivos."

"A mulher e o homem da nossa vida é quem está à mão e nos faz feliz."

O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções.

"Não subestime os outros, nem os idolatre demais. Seja educada, mas não certinha. Não minta, nem conte toda a verdade. Dance sozinha quando ninguém estiver olhando. Divirta-se enquanto seu lobo não vem."

"É importante cultivar afinidades, mas as desafinações ensinam bastante. No mínimo, nos fazem dar boas risadas.Vale amizade com executivo e com office-boy, com solteiros e casados, meninas e mulheraços, gente que torce para outro time e vota em outro partido.Vale sempre que houver troca. "

"O que pode ser mais miserável do que uma pessoa faminta, sem teto, sem futuro, sem saúde? Sabemos que não são poucos os miseráveis do país, mas às vezes esquecemos da quantidade também imensa de miseráveis que está em nossa órbita, cuja barriga não está vazia, mas a cabeça, totalmente."
A vida

"Por muito tempo eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade.
Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado.
Antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga.
Aí sim, a vida de verdade começaria.
Por fim, cheguei a conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade.
Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho para a felicidade.
A felicidade é o caminho!
Assim, aproveite todos os momentos que você tem.
E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial o suficiente para passar seu tempo;

E lembre-se que o tempo não espera ninguém.
Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade;
Até que você volte para a faculdade;
Até que você perca 5 quilos;
Até que você ganhe 5 quilos;
Até que você tenha tido filhos;
Até que seus filhos tenham saído de casa;
Até que você se case;
Até que você se divorcie;
Até sexta à noite;
Até segunda de manhã;
Até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova;
Até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos;
Até o próximo verão,
Outono, inverno;
Até que você esteja aposentado;
Até que a sua música toque;
Até que você tenha terminado seu drink;
Até que você esteja sóbrio de novo;
Até que você morra;

E decida que não há hora melhor para ser feliz do que AGORA MESMO...


Lembre-se:

"Felicidade é uma viagem, não um destino".

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Prá que serve um amigo?


Pra que serve um amigo... Pra tanta coisa... não é? Para instalar um programa no computador e não cobrar nada, mesmo perdendo horas e horas a fio! Pra rachar a gasolina, a conta do bar, emprestar a prancha, recomendar um cd, dar carona para festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra. Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito. A amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para nossa integridade. Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises e choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos. Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta. Um amigo não recomenda apenas um cd. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país. Um amigo não dá carona apenas para festa. Te leva para o mundo dele e topa conhecer o teu. Um amigo não passa apenas cola... Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon. Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado. Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador. Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém!

Andei fazendo planos para você..


Meu plano era deixar você pensar o que quiser
Meu plano era deixar você falar o que quiser
Coisas sem sentido, sem motivo, sem querer
Andei fazendo planos pra você
Engano seu achar que fosse brincadeira.
Engano seu
Aconteceu de ser assim dessa maneira.
Engano é meu
Mesmo sem motivo, sem sentido, sem saber
Andei fazendo planos pra você
Pra você eu faço tudo e um pouco mais
Pra você ficar comigo e ninguém mais
Largo os compromissos.
Deixo tudo ao lado
Você tenta em vão me convencer
Que é melhor não fazer planos pra você
Meu plano era deixar você fugir quando quiser
Meu plano era esperar você voltar
Engano seu achar que o plano é passageiro
Engano meu
Acho que o destino antes de nos conhecer
Fez um plano pra juntar eu e você



Quem nunca passou por isso? Pois é, creio que a maioria... Concordo que muitos criam planos baseados em nada, apenas em sonhos, em desejos individuais, mas também existem aqueles que fazem planos por sentirem o amor da outra pessoa, mesmo que naquele momento existam muitos impedimentos, dificuldades... O que importa é que normalmente planejar qualquer futuro além do teu, pode gerar uma bruta decepção. O engraçado é que como os sonhos e planos são só nossos, diante de pequenas coisas podemos mudá-los... , pode ser um reencontro que parece não dizer mais nada, ou então uma decisão pessoal de não mais sofrer, de não mais chorar em vão. Seja qual for o estalo (ou chacoalhão) que dê aí dentro, em algum momento você decide mudar o rumo das coisas e aí começa a fazer planos pessoais, palpáveis, realizáveis. E aí quem sabe, consegue diminuir o risco de decepções desnecessárias.


Beijos, CA

Saudades...


A DOR QUE DÓI MAIS

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

Martha Medeiros




sábado, 16 de fevereiro de 2008

...é verdade

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente.

Gostar de alguém é função do coração, mas esquecer, não. É tarefa da nossa cabecinha, que aliás é nossa em termos: tem alguma coisa lá dentro que age por conta própria, sem dar satisfação. Quem dera um esforço de conscientização resolvesse o assunto (...).



Por que as pessoas entram na sua vida?

Pessoas entram na sua vida por uma "Razão", uma "Estação" ou uma "Vida Inteira". Quando você percebe qual deles é, você vai saber o que fazer por cada pessoa.

Quando alguém está em sua vida por uma "Razão"... é, geralmente, para suprir uma necessidade que você demonstrou. Elas vêm para auxiliá-lo numa dificuldade, te fornecer orientação e apoio, ajudá-lo física, emocional ou espiritualmente. Elas poderão parecer como uma dádiva de Deus, e são! Elas estão lá pela razão que você precisa que eles estejam lá. Então, sem nenhuma atitude errada de sua parte, ou em uma hora inconveniente, esta pessoa vai dizer ou fazer alguma coisa para levar essa relação a um fim. Ás vezes, essas pessoas morrem. Ás vezes, eles simplesmente se vão. Ás vezes, eles agem e te forçam a tomar uma posição. O que devemos entender é que nossas necessidades foram atendidas, nossos desejos preenchidos e o trabalho delas, feito. As suas orações foram atendidas. E agora é tempo de ir.

Quando pessoas entram em nossas vidas por uma "Estação", é porque chegou sua vez de dividir, crescer e aprender. Elas trazem para você a experiência da paz, ou fazem você rir. Elas poderão ensiná-lo algo que você nunca fez. Elas, geralmente, te dão uma quantidade enorme de prazer... Acredite! É real! Mas somente por uma "Estação".

Relacionamentos de uma "Vida Inteira" te ensinam lições para a vida inteira: coisas que você deve construir para ter uma formação emocional sólida. Sua tarefa é aceitar a lição, amar a pessoa, e colocar o que você aprendeu em uso em todos os outros relacionamentos e áreas de sua vida. É dito que o amor é cego, mas a amizade é clarividente.

"Trabalhe como se você não precisasse do dinheiro,

Ame como se você nunca tivesse sido magoado, e dance como se ninguém estivesse te observando.""O maior risco da vida é não fazer NADA."

Vem brincar comigo...


Vem ficar comigo
Vem ser a luz da minha estrada
Vivo esperando esse céu para brilhar
Teu sorriso lindo
A tua boca doce sempre
Eu necessito do teu amor
Pra me enfeitar
Vem brincar comigo
Vem cuidar de mim
Só teu paraíso é quem me faz viver feliz
Não me deixe solta
Posso me perder
De tudo no mundo
O que eu mais quero é ter você
Vem ficar comigo
Vem ficar comigo
Nando Cordel

"Algumas vezes, não conseguir o que queremos é um grande golpe de sorte."-- Dalai Lama

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008


Amor manifestado com ações concretas é um verdadeiro bálsamo ao coração.Muito se fala sobre auto-estima. Trata-se de um conceito útil quando se pensa sobre felicidade, pois uma elevada auto-estima favorece a felicidade.Mas há muita controvérsia sobre este tema. Algumas pessoas afirmam que têm muita auto-estima, ao passo que outra não a possuem.Gente vaidosa é tida como apresentando uma alta dose de auto-estima quando, na verdade são, ao contrário, vaidosas por serem inseguras e terem baixa auto-estima. Tanta confusão a respeito do conceito auto-estima pode ser esclarecida com algumas reflexões. Partindo do princípio que auto-estima quer dizer amor por si mesmo, para identificar uma pessoa como dona de auto-estima devemos poder perceber sinais desse amor. Inversamente, para se dizer que uma pessoa tem baixa-estima, deve-se observar manifestações de falta de amor.As melhores manifestações de amor baseiam-se em gestos concretos: esforços feitos no sentido de oferecer algo positivo ao objeto do amor.No caso da auto-estima seriam manifestações de amor que a pessoa dirige a si mesma. Quando vemos alguém que toma bem conta de seu corpo e de seu espírito, faz sacrifícios para se oferecer melhores condições de vida e oportunidades de progredir, estamos diante de um indivíduo com elevada auto-estima. Quando ao contrário, vemos alguém que não se cuida, que fraqueja diante de pequenas tentações, que tem preguiça de lutar por uma melhora em sua vida, que não batalha pelo que deseja, esta pessoa demonstra baixa auto-estima. Conforme bem disse o escritor francês, François Rabelais - comprovando que, na época, ele já sabia da importância da auto-estima:"Um homem vale o quanto ele se estima".Por: Luiz Alberto Py - http://www.albertopy.com.br/

Filhos...

Kalil Gibran

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.




O SENTIDO DA VIDA

"Não sei... se a vida é curta ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que acaricia,
desejo que sacia,
amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais,
mas que seja intensa, verdadeira, pura...enquanto durar....“
(Cora Coralina)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

E por falar em saudades...



E por falar em saudade, onde anda você?
Onde andam seus olhos, que a gente não vê?
Onde anda esse corpo,
Que me deixou morto de tanto prazer?
E por falar em beleza onde anda a canção,
Que se ouvia na noite dos bares de então?
Onde a gente ficava, onde a gente se amava
Em total solidão.
Hoje eu saio na noite vazia,
Numa boemia sem razão de ser,
Na rotina dos bares, que apesar dos pesares,
Me trazem você.
E por falar em paixão, em razão de viver,
Você bem que podia me aparecer,
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
Onde anda você?

Me diz por onde você me prende, e o que pretende de mim...


Acontecimentos
(Marina Lima e Antonio Cícero)


Eu espero
Acontecimentos
Só que quando anoitece
É festa no outro apartamento
Todo amor
Vale o quanto brilha
E o meu brilhava
E brilha de jóia e de fantasia
O que que há com nós dois, amor?
Me responda depois
Me diz por onde você me prende
Por onde foge
E o que pretende de mim
Era fácil
Nem dá prá esquecer
E eu nem sabia
Como era feliz de ter você
Como pode
Queimar nosso filme
Um longe do outro
Morrendo de tédio e de ciúmes
O que que há com nós dois amor?
Me responda depois
Me diz por onde você me prende
Por onde foge
E o que pretende de mim

O tempo...


Canção do amor-perfeito

Cecília Meireles


O tempo seca a beleza.
Seca o amor, seca as palavras.
Deixa tudo solto, leve,desunido para sempre
Como as areias nas águas.
O tempo seca a saudade,seca as lembranças e as lágrimas.

Deixa algum retrato, apenas,vagando seco e vazio
Como estas conchas das praias.
O tempo seca o desejo

E suas velhas batalhas.
Seca o frágil arabesco,vestígio do musgo humano,na densa turfa mortuária.
Esperarei pelo tempo com suas conquistas áridas.

Esperarei que te seque,
Não na terra,
Amor-Perfeito,
Num tempo depois das almas.

Traze-me o teu sorriso...

Murmúrio

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.


Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor

Cecilia Meireles

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Vou te contar...

Vou te contar meus olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor é impossível ser feliz sozinho
O resto é mar, é tudo que não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho à brisa e me diz é impossível ser feliz sozinho
Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade,
Agora eu já sei,
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver
Agora eu já sei
Tom Jobim
Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo...


E nessa novela eu não quero ser teu amigo... que amigo!!

Dor física ou dor emocional??


O maior medo do ser humano, depois do medo da morte, é o medo da dor. Dor física: um corte, uma picada, uma ardência, uma distenção, uma fratura, uma cárie. Dor que só cessa com analgésico, no caso de ser uma dor comum, ou com morfina, quando é uma dor insuportável. Mas é a dor emocional a mais temível, porque essa não tem medicamento que dê jeito.


Uma vez, conversando com uma amiga, ficamos nessa discussão por horas: o que é mais dolorido, ter o braço quebrado ou o coração? Uma pessoa que foi rejeitada pelo seu amor sofre menos ou mais do que quem levou 20 pontos no supercílio? Dores absolutamente diferentes. Eu acho que dói mais a dor emocional, aquela que sangra por dentro. Qualquer mãe preferiria ter úlcera para o resto da vida do que conviver com o vazio causado pela morte de um filho.

As estatísticas não mentem: é mais fácil ser atingida por uma depressão do que por uma bala perdida. Existe médico para baixo astral? Psicanalistas. E remédio? Anti-depressivos. Funcionam? Funcionam, mas não com a rapidez de uma injeção, não com a eficiência de uma cirurgia. Certas feridas não ficam à mostra. Acabar com a dor da baixa-estima é bem mais demorado do que acabar com uma dor localizada.

Parece absurdo que alguém possa sofrer num dia de céu azul, na beira do mar, numa festa, num bar. Parece exagero dizer que alguém que leve uma pancada na cabeça sofrerá menos do que alguém que for demitido. Onde está o hematoma causado pelo desemprego, onde está a cicatriz da fome, onde está o gesso imobilizando a dor de um preconceito? Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. Não adianta assoprar que não passa.

Tenho um respeito tremendo por quem sofre em silêncio, principalmente pelos que sofrem por amor. Perder a companhia de quem se ama pode ser uma mutilação tão séria quanto a sofrida por Lars Grael, só que os outros não enxergam a parte que nos falta, e por isso tendem a menosprezar nosso martírio. O próprio iatista terá sua dor emocional prolongada por algum tempo, diante da nova realidade que enfrenta. Nenhuma fisgada se compara à dor de um destino alterado para sempre.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Festa no outro apartamento - Martha Medeiros

Anos atrás a cantora Marina compôs com o irmão dela, o poeta Antônio Cícero, uma música que dizia: "eu espero/acontecimentos/só que quando anoitece/é festa no outro apartamento". Passei minha adolescência inteira com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar, porém eu não havia sido convidada. Até aí, nada de novo. Não há um único ser humano que já não tenha se sentido deslocado e impedido de ser feliz como os outros são - ou aparentam ser. O problema está em como a gente reage a isso. A grande maioria que espera "acontecimentos" fica ligada demais na festa do vizinho, se perguntando: como fazer para ser percebido? A resposta deveria ser: percebendo-se a si mesmo. Mas é o contrário que acontece: a gente passa a se vestir como todo mundo, falar como todo mundo, pensar como todo mundo. Só então consegue passe livre: ok, agora você é um dos nossos, a casa é sua.As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação tão infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias de jornal. As pessoas alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim. É preciso amadurecer para descobrir que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente. Só que os motivos pra se refugiar no escuro não costumam ser revelados. Pra consumo externo, todos são belos, lúcidos, íntegros, perfeitos. "Nunca conheci quem tivesse levado porrada/todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo". Fernando Pessoa sacando que nada é o que parece ser. Sua solidão, sua busca por paz interior, seus poucos e leais amigos, seus livros, suas músicas, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na sua biografia, e pode ser mais divertido que uma balada em algum lugar distante. Pegar carona na alegria dos outros é preguiça, e quase sempre é furada. Quer festa? Promova-a dentro do seu apartamento.



20 horas de silêncio por dia

20 HORAS DE SILÊNCIO POR DIA Fabrício Carpinejar  Não é hora de brincar. Não é hora de ser irônico. Não é hora de fazer piada. Não...