sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Resoluções de ano novo


Dez planos para 2008

1. Estar mais tempo com a Nicole;
2. Estudar mais;
3. Falar menos e ouvir mais
4. Deixar de lado vícios e manias;
5. Não levar as coisas tão a sério (ao pé da letra);
6. Voltar a pintar;
7. Olhar mais vezes para o céu;
8. Ler sempre;
9. Economizar mais;
10. Mudar sempre, todos os dias.

FELIZ 2008


FELIZ, FELIZ ANO NOVO PARA VOCÊ!

As borbulhas de champagne e os fogos de artifício anunciam a chegada de um Novo Ano. É tempo de refazer planos, reconsiderar os equívocos e perdas e retomar o caminho de uma vida feliz. Teremos outras 365 oportunidades de dizer à vida que de fato queremos ser plenamente felizes. Viver cada dia, cada hora e cada minuto em sua plenitude, como se fosse o último. O Novo Ano é hora de nascer, de florescer de viver de novo. . Em muitos corações a lembrança do que não foi e a saudade do que não volta. Porém agora é a hora, a melhor hora, para exorcizar a tristeza, esquecer as mágoas e preparar-se para atravessar o portal que poderá levá-lo a conhecer novos caminhos. Nesta travessia não leve excesso de peso; ele pesará em seus ombros. Quem nunca sentiu o coração “pesado” quando estava magoado? E quem nunca se sentiu “leve” por estar feliz?Leve amor no coração, pois com ele você perceberá muito mais a beleza do caminho. Leve, também, compaixão, para que ela lhe ajude a entender quem encontrar pela estrada. Aproveite cada oportunidade que a vida lhe oferecer. E transforme cada uma numa vitória a ser alcançada. Prepare-se, pois é chegado o momento de construir seu futuro. O futuro se constrói com nossos sonhos, esperanças e, acima de tudo, vontade! Carregue esperança e otimismo, os melhores companheiros de jornada. Não se esqueça de levar um estoque de sorrisos, pois eles abrirão muitas portas.Eu Desejo a você um Ano com muitas mudanças, para que sinta não apenas a chegada de um novo ano, mas sim de uma vida nova.Que seu coração se encha de coragem para enfrentar a vida, que consiga aceitar que nem sempre mudanças são ruins e que para tudo existem dois lados, só depende de como se encara uma situação. Que consiga vencer seus medos e ansiedades e possa entender que cada dia é uma nova conquista, é uma vitória. Eu desejo a presença constante de Deus no seu dia-a-dia! Eu desejo o milagre da fé, a força da oração. Eu desejo as grandes realizações das coisas grandes e pequenas. Eu desejo a sensibilidade, a emoção com as pequenas grandes coisas da vida! Eu desejo a doçura da poesia e a suavidade de uma canção. Eu desejo que você só deseje coisas boas pras pessoas ao seu redor. Desejo que em seu coração, não haja espaço para orgulho, inveja, rancor e vingança. Desejo-te todas as coisas boas possíveis... O melhor do melhor! O melhor de Deus! Que este novo ano seja cheio de saúde, de alegria, de Paz e prosperidade. Que não lhe falte motivos para se feliz no que quer que faça ou onde esteja. Que neste novo ano você supere os seus limites conseguindo vitórias em todos os aspectos de sua vida. Acredite em você! Porque a confiança é o caminho certo para um Ano Novo realmente feliz e de muito sucesso

Muita paz, fé e coragem!

Feliz 2008!!!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O amor como meio, não como fim


:: Flávio Gikovate ::

É hora de substituir o ideal romântico do amor que basta em si mesmo (por isso não dura) por uma relação que traga crescimento individual. Há algo de errado na forma como temos vivido nossas relações amorosas. Isso é fácil de ser constatado, pois temos sofrido muito por amor. Se o que anda bem tem que nos fazer felizes, o sofrimento só pode significar que estamos numa rota equivocada. Desde crianças, aprendemos que o amor não deve ser objeto de reflexão e de entendimento racional; que deve ser apenas vivenciado, como uma mágica fascinante que nos faz sentir completos e aconchegados quando estamos ao lado daquela pessoa que se tornou única e especial. Aprendemos que a mágica do amor não pode ser perturbada pela razão, que devemos evitar esse tipo de “contaminação” para podermos usufruir integralmente as delícias dessa emoção – só que não tem dado certo. Vamos tentar, então, o caminho inverso: vamos pensar sobre o tema com sinceridade e coragem. Conclusões novas, quem sabe, nos tragam melhores resultados.Vamos nos deter em apenas uma das idéias que governam nossa visão do amor. Imaginamos sempre que um bom vínculo afetivo significa o fim de todos os nossos problemas. Nosso ideal romântico é assim: duas pessoas se encontram, se encantam uma com a outra, compõem um forte elo, de grande dependência, sentem-se preenchidas e completas e sonham em largar tudo o que fazem para se refugiar em algum oásis e viver inteiramente uma para a outra usufruindo o aconchego de ter achado sua “metade da laranja”. Nada parece lhes faltar. Tudo o que antes valorizavam – dinheiro, aparência física, trabalho, posição social etc. – parece não ter mais a menor importância. Tudo o que não diz respeito ao amor se transforma em banalidade, algo supérfluo que agora pode ser descartado sem o menor problema. Sabemos que quem quis levar essas fantasias para a vida prática se deu mal. Com o passar do tempo, percebe-se que uma vida reclusa, sem novos estímulos, somente voltada para a relação amorosa, muito depressa se torna tediosa e desinteressante. Podemos sonhar com o paraíso perdido ou com a volta ao útero, mas não podemos fugir ao fato de que estamos habituados a viver com certos riscos, certos desafios. Sabemos que eles nos deixam em alerta e intrigados; que nos fazem muito bem.De certa forma, a realização do ideal romântico corresponde à negação da vida. Visto por esse ângulo, o amor é a antivida, pois em nome dele abandonamos tudo aquilo que até então era a nossa vida. No primeiro momento até podemos achar que estamos fazendo uma boa troca, mas rapidamente nos aborrecemos com o vazio deixado por essa renúncia à vida. A partir daí, começa a irritação com o ser amado, agora entendido como o causador do tédio, como uma pessoa pouco criativa e desinteressante. O resultado todos conhecemos: o casal rompe e cada um volta à sua vida anterior, levando consigo a impressão de ter falido em seus ideais de vida. Os doentes acham que a saúde é tudo. Os pobres imaginam que o dinheiro lhes traria toda a felicidade sonhada. Os carentes – isto é, todos nós – acham que o amor é a mágica que dá significado à vida. O que nos falta aparece sempre idealizado, como o elixir da longa vida e da eterna felicidade.Diariamente, porém, a realidade nos mostra que as coisas não são assim, e acho importante aprendermos com ela. Nossas concepções têm de se basear em fatos, nossos projetos têm que estar de acordo com aquilo que costuma dar certo no mundo real. Fantasias e sonhos, ao contrário, têm origem em processos psíquicos ligados à lembranças e frustrações do passado. É importante percebermos que o que poderia ser uma ótima solução aos seis meses de idade, como voltar ao útero materno, será ineficaz e intolerável aos 30 anos. A bicicleta que eu não tive aos 7 anos, por exemplo, não irá resolver nenhum dos meus problemas atuais. É preciso parar de sonhar com soluções que já não nos satisfazem a adaptar nossos sonhos à realidade da condição de vida adulta.Se é verdade, então, que o amor nos enche de alegria, vitalidade e coragem – e isso ninguém contesta –, por que não direcionar essa nova energia para ativar ainda mais os projetos nos quais estamos empenhados? Quando amamos e nos sentimos amados por alguém que admiramos e valorizamos, nossa auto-estima cresce, nos sentimos dignos e fortes. Tornamo-nos ousados e capazes de tentar coisas novas, tanto em relação ao mundo exterior como na compreensão da nossa subjetividade. Em vez de ser um fim em si mesmo, o amor deveria funcionar como um meio para o aprimoramento individual, nos curando das frustrações do passado e nos impulsionando para o futuro. Casais que conseguem vivê-lo dessa maneira crescem e evoluem, e sob essa condição seu amor se renova e se revitaliza.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Todo amor que houver nesta vida para você...


Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós, na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente nem vive
Transformar o tédio em melodia...
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno anti-monotonia...
E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio
O mel e a ferida
E o corpo inteiro feito um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente, não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria...

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Eu ando tão down


Eu não sei o que o meu corpo abriga
Nestas noites quentes de verão
E nem me importa que mil raios partam
Qualquer sentido vago de razão
Eu ando tão down
Eu ando tão down
Outra vez vou te cantar, vou te gritar
Te rebocar do bar
E as paredes do meu quarto vão assistir comigo
À versão nova de uma velha história
E quando o sol vier socar minha cara
Com certeza você já foi embora
Eu ando tão down
Eu ando tão down
Outra vez vou me esquecer
Pois nestas horas pega mal sofrer
Da privada eu vou dar com a minha cara
De panaca pintada no espelho
E me lembrar, sorrindo, que o banheiro
É a igreja de todos os bêbados
Eu ando tão down

Eu ando tão down

Eu ando tão down

Down... down

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Feliz Natal


Eu poderia desejar-lhe um tradicional “Feliz Natal”, mas isso garantiria não mais do que dois dias de felicidade. Já votos protocolares de “Boas Festas” se estenderiam por apenas uma semana. Por isso, quero desejar a você algo capaz de perdurar por todo um ano: chega de angústia!
Ansiedade e angústia tornaram-se companheiros indesejados. A ansiedade representa um estado de impaciência, de inquietação, um desejo recôndito de antecipar uma decisão, de abreviar uma resposta, de aplacar expectativas.
A angústia é uma sensação de desconforto, um mal-estar físico que oprime a garganta, comprime o diafragma, acelera o pulso, e um mal-estar psíquico que aflige, agoniza, atormenta.
A ansiedade é um tempo que não chega; a angústia, um tempo que não vai embora.
Amantes que aguardam pelo encontro é ansiedade; relacionamentos desgastados que não terminam é angústia. O prenúncio do final de semana para um pai divorciado é ansiedade; a despedida dos filhos no domingo é angústia. A espera pelo resultado de um concurso é ansiedade; ter seu nome classificado em uma lista de espera é angústia. A expectativa do primeiro dia de trabalho é ansiedade; o fim do expediente que demora é angústia.
Ficamos angustiados por opção, por força de nossas próprias escolhas, por causa de coisas e pessoas. Assumimos compromissos financeiros que não podemos saldar, adquirimos bens pelos quais não podemos pagar. Tudo em busca de status. Compramos o que não precisamos, com o dinheiro que não temos, para mostrar a quem não gostamos uma pessoa que não somos. O ato da compra é sublime e fugaz. A obrigação decorrente é amarga e duradoura. E angustiante.
Muitas são as pessoas que nos angustiam com suas argumentações, pleitos ou mera presença. O telefone toca e ao identificar o número você hesita em atender. Uma visita é anunciada e sua vontade é simplesmente mandar dizer que não está.
De tanto cultivar a ansiedade, de tanto se permitir a angústia, colhemos a depressão. Então lançamos mão de um comprimido de Prozac e fingimos estar tudo bem.
Por isso, meu convite é para que você dê um basta em sua angústia. Demita de sua vida quem e o que não lhe faz bem. Pode ser um cliente chato ou um fornecedor desatencioso; um amigo supostamente leal, mas na verdade um interesseiro contumaz ou um amor não correspondido.
Tome iniciativas que você tem protelado. Relacione tarefas pendentes e programe datas para conclusão. Limpe gavetas, elimine arquivos desnecessários. Revise sua agenda de contatos e sua coleção de cartões de visita, rejeitando quem você nem mais conhece – e que talvez nunca tenha conhecido.
Vá ao encontro de quem você gosta para demonstrar-lhe sua afeição. Peça perdão a quem se diz magoado com você, mesmo acreditando não tê-lo feito. Ofereça flores, uma canção, um abraço e aperto de mãos. Ofereça seus ouvidos e sua atenção.
A vida é breve e parece estar cada vez mais curta porque o tempo escorre-nos pelas mãos. Compromissos inadiáveis, reuniões intermináveis, trânsito insuportável. Refeições em fast food, decisões fast track, relacionamentos fast love. Cotidiano que sufoca, reprime, deprime.
Caminhar pelas ruas, admirar a lua, contar estrelas, observar o desenho que as nuvens formam no céu. Encontrar amigos, saborear os alimentos, apreciar os filhos. Escolha ficar mais leve, viver com serenidade. Libere o peso angustiante que carrega em suas costas. Viva, não apenas se deixe viver.


A sua


Eu só quero que você saiba
Que estou pensando em você
Agora e sempre mais
Eu só quero que você ouça
A canção que eu fiz pra dizer
Que eu te adoro cada vez mais
E que eu te quero sempre em paz
Tô com sintomas de saudade
Tô pensando em você
E como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem
Eu só quero que você caiba
No meu colo
Porque eu te adoro cada vez mais
Eu só quero que você siga
Para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás
Tô com sintomas de saudade
Tô pensando em você
E como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem
Eu só quero que você saiba
Que estou pensando em você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem
E que eu te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

E quanto a mim, te quero, sim. Vem dizer que você não sabe...



Escutei alguém abrir os portões
Encontrei no coração multidões
Meu desejo e meu destino brigaram como irmãos
E a manhã semeará outros grãos
Você estava longe, então
Por que voltou
Com olhos de verão
Que não vão entender?
E quanto a mim, te quero, sim
Vem dizer que você não sabe
E quanto a mim, não é o fim
Nem há razão pra que um dia acabe
Cada um terá razões ou arpões
Dediquei-me às suas contradições, fissões, confusões
Meu desejo, seu bom senso, raivosos feito cães
E a manhã nos proverá outros pães
Os deuses vendem quando dão
Melhor saber
Seus olhos de verão
Que não vão nem lembrar
E quanto a mim, te quero, sim
Vem dizer que você não sabe
E quanto a mim, não é o fim
Nem há razão pra que um dia acabe
Somos dois contra a parede e tudo tem três lados
E a noite arremessará outros dados
Os deuses vendem quando dão
Melhor saber
Seus olhos de verão
Que não vão nem lembrar
E quanto a mim, te quero, sim
Vem dizer que você não sabe
E quanto a mim, não é o fim
Nem há razão pra que um dia acabe

Aos meus amigos


Sobre Amizade
::César Claudier::
Vulgo Cesinha

A Simpatia é um substantivo abstrato que surge quando em nossa retina reflete a imagem de alguém, que aparentemente, seria somente mais uma pessoa que conhecemos, afinal, todos os dias conhecemos tantas, várias, muitas pessoas. Mas eis que, a partir desde sentimento, outras abstrações são despertadas com o passar dos tempos...Surge o Respeito, em saber que o outro é como nós, imperfeito...Surge a tolerância, quando entendemos que o outro não dá a mínima para os nossos defeitos...Surge a compreensão, quando descobrimos que o outro entende que somos frágeis e erramos...Surge a cumplicidade, quando o outro minimiza as nossas grandes falhas...Surge o companheirismo, quando percebemos que o outro está ao nosso lado, mesmo sendo quatro da madrugada, no ponto de ônibus, sem dinheiro, chovendo, e ainda morre de rir da bela situação...Tudo isso somado, faz desta pessoa alguém muito especial... Alguém que lembramos nos momentos bons e ruins... Alguém que queremos encontrar por acaso... Alguém que somos capazes de ficar horas tomando cerveja com fígado no Mercado Central, e sem vontade de ir embora... Alguém que queremos que esteja ao nosso lado quando nosso time perde, ou quando brigamos com a namorada... Alguém que em alguns momentos te vê como um super-heroí... Alguém com quem gostaríamos de compartilhar uma promoção de "Pastel com caldo de cana"... Alguém que não se importa se temos cinquenta centavos ou cinquenta mil no bolso... Alguém que te liga e diz que só queria saber como você está... Alguém que topa uma viagem de trem... Alguém que diz as palavras certas nas horas exatas... Alguém que entra para as páginas da história de sua vida... Alguém que sabe qual é a sua música preferida, e te dedica a mesma no videokê na rua Rio de Janeiro... Alguém que te diz "tudo vai dar certo"... Alguém que que chama seus filhos de "meus sobrinhos", mesmo não tendo laços sanguíneos com você... Alguém que fica com você no ponto de ônibus só para terminar de te contar um velho caso... Alguém que não tem vergonha de chorar por amor na sua frente...Alguém que diz que te adora, e não se preocupa se você irá achar aquilo meio duvidoso...Alguém que batuca na mesa, e canta um samba com você em qualquer boteco... Alguém que faz questão em te ver... Alguém que deixou de ser simplesmente uma simpática pessoa e...Passou a ser o seu GRANDE AMIGO... Alguém que não se contentou em ser somente um GRANDE AMIGO e passou a ser um novo IRMÃO, demonstrando que a AMIZADE supera todos os limites de tempo, de espaço, de geografia, de física, mas, que antes de tudo tem por trás uma bela HISTÓRIA...



Reflexão

O QUE VOCÊ ALIMENTA MAIS?!

Um ancião índio norte-americano certa vez descreveu seus conflitos internos da seguinte maneira: "Dentro de mim há dois cães. Um deles é cruel e mau. O outro é muito bom. Os dois estão sempre brigando". Quando lhe perguntaram que cão ganhava a briga, o ancião parou, refletiu e respondeu: "Aquele que eu alimento mais freqüentemente". Esta parábola aplica-se, sobretudo, quando a questão é como lidar com nossos conflitos interiores, com aquilo que é contraditório dentro de nós como os nossos sentimentos, emoções, hábitos e valores.Quantas vezes você já se sentiu agoniado em relação a sentimentos conflitantes dentro de si? Quanto você já se desgastou ao ter que optar entre aquilo que lhe era permitido fazer, em contradição ao que você deveria fazer? Pois é, ter clareza de sentimentos talvez seja o primeiro passo para alojar dentro de si o equilíbrio necessário para tomar decisões conscientes e promissoras. A ninguém é dado obter paz de espírito se, por exemplo, vive a alimentar-se de raiva ou mágoa, se passa o tempo a guardar dentro de si insatisfações ou frustrações, posto que estes são elementos extremamente nocivos e autodestrutivos.Por ignorarmos que somente encontraremos soluções sólidas quando nos permitirmos observar com maior isenção a nós mesmos e nos responsabilizarmos pelos nossos acertos ou desacertos, temos o hábito de preguiçosamente procurar fora de nós a explicação para nossos desconfortos e fracassos. Porém, o aprendizado consciente nos revela que se pretendemos instaurar em nós harmonia duradoura, serenidade e paz, não há outro caminho senão o de alimentar o que há de melhor em nosso próprio interior. Explorar a fundo nosso ser em busca de nossos melhores valores e qualidades é tarefa intransferível; trazer à nossa mente a clareza de bons propósitos é fundamental para nutrirmos com freqüência nossa polaridade positiva e motivarmos nossas ações tornando-nos, assim, aptos a sermos vencedores no bom e salutar combate da vida.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007


Onde estiveres, não percas a oportunidade de semear o bem...Se a conversa gira em torno de uma pessoa, destaca-lhe as virtudes, recordando que todos ainda nos encontramos muito longe da perfeição.Se o assunto descamba para comentários maliciosos, à cerca de certos acontecimentos, procura, discretamente, imprimir um novo rumo ao diálogo, sem te julgares superior a quem quer que seja.Onde estiveres, não permitas que o mal conte com o teu apoio para se propagar...Se muitos falam em tom de pessimismo sobre os problemas que afligem a Humanidade, demonstra a tua confiança no futuro, recordando aos interlocutores que nada acontece sem a permissão de Deus.Se outros se transformam em profetas da descrença, quais se fossem eles mesmo os únicos a se salvarem do naufrágio dos valores morais em que o homem se debate neste ocaso de milênio, trabalha com todas as tuas forças na construção de um mundo melhor, porquanto um só exemplo tem mais poder de persuasão sobre as almas do que um milhão de palavras.Onde estiveres, não te esqueças de que o bem necessita de ti como instrumento para manifestar-se e não cruzes os braços, como se nada tivesses a ver com o que acontece ao teu redor.

Xavier, Francisco Cândido; Baccelli, Carlos A.. Da obra: Confia e Serve. Ditado pelo Espírito André Luiz

UM FELIZ NATAL!!!Muita luz e paz em todos os corações!!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A saudades pode ser um afrodisíaco - Rosana Braga


Para começar, quero esclarecer que, embora a gente associe imediatamente a palavra “afrodisíaco” a um poder de excitação sexual, não é só isso que ela significa. Como está no dicionário, afrodisíaco é também “aquilo que restaura as forças geradoras”.Pois é exatamente sobre a restauração das forças geradoras através da saudade que sentimos da pessoa amada que pretendo escrever agora.É verdade que o sentimento de saudade pode doer... e doer muito; especialmente porque a gente sente saudades de algumas pessoas por diferentes motivos. Pode ser de alguém que se foi desta dimensão e não volta mais; pode ser de alguém que nos deixou porque, antes, deixou de nos amar... e também pode ser de alguém que está fisicamente tão longe e em lugar tão desconhecido que não temos a menor idéia de quando voltaremos a encontrar novamente.O texto mais comovente que já li sobre este sentimento tão profundo e particular é de Martha Medeiros. Transcrevo aqui um pequeno trecho, onde ela belamente define o indefinível com uma sensibilidade extrema, como é próprio desta notável autora:“Saudade é não saber.Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos,não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento,não saber como frear as lágrimas diante de uma música,não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche”.Mas, felizmente, também podemos sentir uma saudade gostosa... saudade de quem amamos, mas não poderemos ver por um dia, uma semana, um mês... Uma saudade quase manhosa, um tanto mimada, meio infantil, mas que se justifica pela falta do cheiro, da voz, do abraço, do beijo... pela falta do sorriso, da companhia, das risadas ou da simples presença calada...Uma saudade que nem deveria ter começado porque a pessoa ainda nem se foi... ou acabou de ir. Mas que a paixão explica... ou nem explica, porque não precisa... E diante desta saudade, nascida entre dois corações que se amam e que terão de enfrentar alguns dias de separação, o melhor a fazer é aproveitar para transformá-la em afrodisíaco!Ou seja, que você possa aproveitar a distância da pessoa amada para restaurar as forças geradoras deste amor. Se você vai viajar ou se quem vai viajar é o seu amor... se terá de ficar longe de quem ama por quaisquer motivos... eu sugiro que você descubra a sua capacidade de nutrir seu relacionamento com lembranças positivas, pensamentos construtivos, fantasias e inspirações que alimentam a sua alma e, conseqüentemente, a alma do outro.Aproveite o tempo para se curtir, para lembrar o quanto você pode ser especial dentro deste relacionamento. Deixe sua criatividade fluir e invente surpresas... Um presentinho, um bilhete, uma ligação inesperada... Faça do tempo uma ferramenta para o seu romantismo.Não se deixe engolir por idéias ameaçadoras, insegurança destrutiva ou por um ciúme que consome todo o seu humor e alegria. Aprenda a usufruir a vida e o amor conforme eles se apresentam, porque isto é sabedoria!E quando se reencontrarem, descubra onde está o poder afrodisíaco da saudade no sentido mais amplo desta palavra. Mate a sua saudade deixando transparecer tudo o que você sente pela pessoa que ama...Boas saudades para nós, sempre!

Tão seu...


Sinto sua falta
Não posso esperar
Tanto tempo assim
O nosso amor é novo
É o velho amor ainda e sempre...
Não diga que não vem me ver
De noite eu quero descansar
Ir ao cinema com você
Um filme à tôa no Pathé...
Que culpa a gente tem
De ser feliz
Que culpa a gente tem
Meu bem!O mundo bem diante do nariz
Feliz aqui e não além...
Eh! Eh!Me sinto só, me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só
E sou teu!Me sinto só, me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só
E sou teu!...
Faço tanta coisa
Pensando no momento de te ver
A minha casa sem você é triste
A espera arde sem me aquecer...
Não diga que você não volta
Eu não vou conseguir dormir
À noite eu quero descansar
Sair à tôa por aí...

Saudades...

Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu
É tão difícil ficar sem você
A tua presença é gostosa demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz
Pensamento viaja
E vai buscar meu bem-querer
Não posso ser feliz, assim
Tem do de mim
O que é que eu posso fazer.

sábado, 15 de dezembro de 2007

O que elas querem na cama??


Vale começar esclarecendo: não acredito em generalizações. Essa coisa de que “homem é assim...” ou “mulher é assado...” não funciona! Existe homem de todo tipo e mulheres das mais diversas. E se todo homem fosse mentiroso e toda mulher fosse interesseira, como dizem por aí, não precisaríamos investir tanto tempo à procura de um par, já que seriam todos iguais...Portanto, se me disponho a escrever sobre o que as mulheres querem quando o tema é relacionamento sexual, refiro-me a um arquétipo do feminino, ou seja, a um modo de ser e de sentir que faz parte do psíquico da mulher. Isso não significa que sejam todas iguais. Mulher quer se sentir desejada, querida, única! Quer tirar a roupa para um homem e perceber os olhos dele percorrendo seu corpo com ternura. Sentir o calor que vem da boca dele queimando sua pele como se esta fosse a última chama. Mulher tem pressa, mas quer ser tomada devagar. Que cada centímetro de seu corpo seja desbravado, como se ali ele tivesse, enfim, aberto o mapa do prazer. Mas muito melhor se tudo isso não for meramente tesão. O ideal é que haja interesse, intimidade, intensidade. É isso: tem de ser “in”!Mais do que dar, mulher quer se entregar. Ser dele. Ser possuída com carinho e respeito. Quer o que canta lindamente Zélia Duncan, em Sentidos: “...Transfere pro meu corpo seus sentidos, pra eu sentir a sua dor, os seus gemidos, e entender por que quero você...”.Sei que experimentamos uma época em que as mulheres têm se esforçado bastante para aceitar a superficialidade (fácil) do masculino. Muitas vezes, contentam-se com um orgasmo para suprir sua carência de afeto. Fingem que sexo por sexo lhes é suficiente para se adequar às circunstâncias, mas eu realmente nunca conheci uma mulher que ficasse satisfeita de fato com uma transa e nada mais.Conheço várias que se impuseram desejar apenas isso, já que é bem mais fácil de encontrar. Mas felizes, brilhantes e inteiras?!? Nunca!!! Mulher quer gozar com o coração e embora possa, algumas vezes, realmente cobiçar um homem por puro tesão, uma vez que se deita com ele, sente e sabe que nunca mais será a mesma.Não estou falando de fatos, mas da natureza feminina. Portanto, aposto que não importa o que ela diga, o quanto tente se fazer de independente, soberana e auto-suficiente; não importa o que ela faça depois que se levantar, vestir a roupa e sair para o mundo. Tudo o que ela mais deseja é se dar por inteira, entregar-se de corpo e alma e, na mesma medida, ser amada!

Para que serve uma relação

Algumas pessoas mantém relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a si mesmas que são capazes de ser amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça. Todos fadados à frustração. Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado. Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso. Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo. Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa. Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro quando o cobertor cair. Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.

Quanto você paga por um pouco de carinho? - Rosana Braga

Num primeiro momento, tendemos a responder: “claro que nada!!!”. Será? Incrível como a carência afetiva tem se transformado numa verdadeira epidemia. Vivemos num mundo onde tudo o que fazemos nos induz a “ter” cada vez mais. Um celular novo, um sapato de outra cor, uma jaqueta diferente, uma viagem em suaves prestações... E enquanto isso, nos sentimos cada vez mais vazios. Nossa voz interna faz um eco que chega a doer; e tudo o que realmente nos faria sentir melhores seria “apenas” um pouco de carinho. A carência é tão grande, a sensação de solidão é tão forte que nos dispomos a pagar por companhia, por uma remota possibilidade de conseguir um pouco de carinho. Eu sei, você vai dizer: “de forma alguma, eu nunca saí com uma garota ou um garoto de programa; jamais pagaria para ter carinho”!Pois é, mas não é de dinheiro que estou falando. Não se trata desta moeda. Estou falando das escolhas que fazemos, indiscriminadamente, em busca de afeto. As relações sexuais fáceis e fugazes, a liberação desenfreada de intimidade, a cama que chega nas relações muito antes de uma apresentação de corações... a rapidez com que “ficamos”, com que beijamos na boca, com que tocamos nossas “zonas erógenas” demonstra exatamente o quanto pagamos. Ou, ao contrário de tudo isso, a amargura e o mau-humor que toma conta daqueles que não fazem nada disso, que se fecham feito ostras, criticando e maldizendo quem se entrega, quem transa, quem sai em busca de afeto a qualquer preço... Enfim, de uma forma ou de outra, estão pagando pelo carinho que não dão e pelo carinho que, muitas vezes, não se permitem receber.Ou seja, se sexo realmente fosse tão bom, poderoso e suficiente quanto “prometem” as revistas femininas, as cenas calientes das novelas ou os sites eróticos, estaríamos satisfeitos, não é? Mas não estamos, definitivamente não estamos!Sabe por que? Porque falta conteúdo nestas atitudes, nestes encontros. Não se trata de julgamento de valor nem de pudor hipócrita. Trata-se de constatação, de fato! Muito mais do que orgasmos múltiplos, precisamos urgentemente de um cafuné, de um abraço que encosta coração com coração, de um simples deslizar de mãos em nosso rosto, de um encontro de corpos que desejam sobretudo fazer o outro se sentir querido, vivo. Tocar o outro é acordar as suas células, é revivescer seus poros, é oferecer um alento, uma esperança, um pouco de humanidade, tão escassa em nossas relações.Talvez você pense: mas eu não tenho ninguém que esteja disposto a fazer isso comigo, a me dar este presente. Pois é. Esta é a matemática mais enganosa e catastrófica sob a qual vivemos. Quem disse que você precisa ter alguém que faça isso por você?!?Não! Você não precisa, acredite! De pessoas à espera de soluções o mundo está farto! Precisamos daqueles que estão dispostos a serem “a” solução! Portanto, se você quer transformar a sua vida num encontro amoroso, torne-se o próprio amor, o próprio carinho, a própria carícia. Torne-se a diferença na vida de pessoas, do maior número de pessoas que conseguir.A partir de hoje, ao invés de sair pra balada dizendo que quer “beijar muuuuito”, concentre-se na sua capacidade de dar afeto e surpreenda-se com o resultado. Recebi, hoje (certamente por sincronicidade do Universo) um texto de um leitor meu sobre “cuddle parties”, a nova onda em Nova Iorque. Pessoas acima dos 30 anos pagam até 30 dólares para participar de uma festa onde os convidados se abraçam, se tocam sem a intenção de sexo (aliás, sexo é proibido nesta festa). Meu Deus, que coisa horrível não ter alguém ao seu lado que você possa tocar, que você possa acariciar.Sabe, a gente tem medo de dar carinho e ser rejeitado, de tocar o outro e ser chamado de “pegajoso”. E não estou falando de tocar estranhos, não... Estou falando de tocar amigos, familiares, pai, mãe, irmão, marido, esposa, namorado. Estou falando de afeto com aqueles que, teoricamente, são os mais próximos de nós, aqueles que em nossa agenda colocamos o nome para serem avisados caso algum acidente aconteça conosco.Sugiro que, a partir de hoje, você comece a se tornar uma pessoa carinhosa, no jeito de falar, no jeito de ouvir, no jeito de chegar e de sair... Faça um cafuné em alguém que você gosta. Você vai se sentir um pouco estranho, talvez o outro sinta até o coração disparar e pense “nossa, o que eu faço agora, o que eu digo, o que está acontecendo”? Mas não desista! Dê carinho, mais e mais... e faça parte do “clube dos saciados”, diminuindo o número de pessoas contaminadas pela carência.Ofereça carinho gratuitamente e você passará a “pagar” por ele cada vez menos!

Uma crônica sobre o amor


Uma crônica sobre o amor
Martha Medeiros

Dois entretenimentos diferentes. Sábado, filmezinho no DVD: “Alfie”, com o feioso Jude Law. Não cheguei a assistir à primeira versão, com Michael Caine, que todos dizem ser melhor, pra variar. O filme conta a história de um don Juan que dorme cada noite numa cama e cujo projeto de vida é este mesmo: trocar de parceiras até a exaustão pra não morrer de tédio. Aí, claro, vão acontecendo coisas aqui e ali, até que ele descobre... vê se adivinha: que uma vida não tem sentido sem amor.

Acabou o filme, fui dormir. Quando acordei no domingo, resolvi passar o dia em companhia de Gabriel García Márquez e seu poético “Memórias de minhas putas tristes”, um livro lindamente escrito e onde encontra-se a seguinte frase: “O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança”. Salve a literatura. Mas é exatamente o que o filmeco-sessão-da-tarde “Alfie” queria contar, e contou à sua maneira.

Seja através de clichês cinematográficos ou de prosa da mais alta qualidade, a verdade universal é que só o amor nos humaniza de fato. Pode-se gostar ou não desta idéia, ela pode ser claustrofóbica para uns e libertária para outros, mas o mundo dá voltas e voltas e chega sempre neste ponto, o de que o amor é mais importante que o dinheiro, que o sexo, que a beleza, ainda que tudo isso seja ótimo também. Mesmo com uma vida recheada de acontecimentos, se estivermos ocos, não veremos muita graça em nada. Poderemos até parecer independentes, inteligentes, modernos, sofisticados... mas só o amor responde às nossas indagações — indagações que podem também ser divertidas, inspiradoras, transgressoras, blá, blá, blá... mas ainda irrespondíveis sem amor. Sem amor, neca. Sem amor, babaus. Sem amor, o resto é consolo.

Vale amor por um cachorro, por um projeto, por si mesmo? Prefiro acreditar que sim, que o amor sem conotação romântica também pode justificar uma existência, que ele pode tornar uma pessoa, senão plena, ao menos leve e alegre, sem necessidade de buscas intermináveis. Mas não é isso que nos dizem livros, filmes, músicas, poemas. Se não amamos alguém, é uma vida vivida sem integralidade. Pode até ser uma vida boa, mas não uma vida que valha a pena ser contada.

Diante desta sentença, fazer o quê: é ele que desejamos, é por ele que procuramos, é nele que queremos tropeçar, nem que seja aos 90 anos, nem que seja quando estivermos secos depois de fazer tanta burrada, nem que seja para durar três dias, nem que seja para nos fazer sofrer, nem que nos arrebentemos, como tantos se arrebentam em seu nome. Diz o personagem de García Márquez, torturado pelo amor: “Não trocaria por nada neste mundo as delícias do meu desassossego”. Quem mais nos colocaria assim de joelhos? Sem amor, nos resta a paz. Porém uma paz sem gosto.

A carta


Berna, 2 de janeiro de 1947

Querida, Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como lhe explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perde o respeito a si mesma e o respeito às suas próprias necessidades - depois disso fica-se um pouco um trapo.
Eu queria tanto, tanto estar junto de você e conversar e contar experiências minhas e dos outros. Você veria que há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Eu mesma não queria contar a você como estou agora, porque achei inútil. Pretendia apenas lhe contar o meu novo caráter, um mês antes de irmos para o Brasil, para você estar prevenida. Mas espero de tal forma que no navio ou avião que nos leva de volta eu me transforme instantaneamente na antiga que eu era, que talvez nem fosse necessário contar. Querida, quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma num boi? Assim fiquei eu... em que pese a dura comparação... Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. Espero que você nunca me veja assim resignada, porque é quase repugnante. Espero que no navio que me leve de volta, só a idéia de ver você e de retomar um pouco minha vida - que não era maravilhosa mas era uma vida - eu me transforme inteiramente.
Uma amiga, um dia, encheu-se de coragem, como ela disse e me perguntou: "Você era muito diferente, não era?". Ela disse que me achava ardente e vibrante, e que quando me encontrou agora se disse: ou esta calma excessiva é uma atitude ou então ela mudou tanto que parece quase irreconhecível. Uma outra pessoa disse que eu me movo com lassidão de mulher de cinqüenta anos. Tudo isso você não vai ver nem sentir, queira Deus. Não haveria necessidade de lhe dizer, então. Mas não pude deixar de querer lhe mostrar o que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto com todos, e que se esqueceu de que o nó vital de uma pessoa deve ser respeitado. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você - pelo amor de Deus, não queira fazer de você mesma uma pessoa perfeita - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse o único meio de viver.
Juro por Deus que se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia - será punida e irá para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não será punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo aquilo que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Espero em Deus que você acredite em mim. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Isso seria uma lição para mim. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade de alma.
Tua Clarice


Em 95, o escritor Caio Fernando Abreu, então colunista do jornal O Estado de São Paulo, publicou uma carta que teria sido escrita por Clarice Lispector a uma amiga brasileira. Ele comenta, no artigo, que não há nada que comprove sua autenticidade, a não ser o estilo-não estilo de escrita de Clarice Lispector. Ele dizia: "A beleza e o conteúdo de humanidade que a carta contém valem a pena a publicação..."

Entregue-se ao imprevisível - Rosana Braga


Se existem verdades absolutas neste mundo, uma delas é que todos nós temos medo de sofrer. Assim, ingenuamente tentamos controlar as situações ao nosso redor, como se isso fosse possível...Obcecados por esse desejo de nos proteger, gastamos nossa energia e nosso tempo tentando controlar os pensamentos, as atitudes e até os sentimentos das pessoas que amamos e que, sobretudo, desejamos que nos amem.No entanto, não nos damos conta de que a vida se baseia no imprevisível, no incontrolável, no surpreendente! Nenhum sentimento é garantido, nenhuma conseqüência é revelada antecipadamente. O futuro é totalmente incerto.E apesar de tamanha imprevisibilidade, temos em nosso coração toda a possibilidade de conquistarmos o que e quem amamos, o que é muito diferente de controlar, prever ou obter garantias!Muitas pessoas não conseguem encontrar um amor, não se entregam a uma relação profunda e verdadeira simplesmente porque estão, todo tempo, tentando obter certezas. As perguntas não param de gritar, as dúvidas não têm fim e o medo de se deparar com a dor parece assombrar milhares de corações, impedindo-os de enxergar uma outra possibilidade, tão plausível quanto a de sofrer.Será que ele me ama? Será que vale a pena perdoar e tentar de novo? Será que ele não vai me trair? Será que não estou sendo idiota? Será que não vou sofrer mais do que se ficar sozinho? Será? Será?...O que será, eu responderia com muita tranqüilidade, não importa agora! Na verdade, nunca importará! A pergunta correta é: “Eu quero?” Quando aprendermos a responder, com respeito e responsabilidade, essa simples perguntinha, teremos previsto qualquer possibilidade.Sim, porque o amor é uma chance, uma oportunidade; não uma garantia; nunca uma certeza! Podemos vivê-lo conforme nossa vontade, de acordo com nosso coração ou... passaremos a vida inteira tentando controlar o incontrolável, garantir o incerto! Jamais teremos como saber se o outro está sendo fiel, se o amor que sentimos é correspondido na mesma medida, se vamos sofrer ou seremos felizes. Jamais saberemos do amanhã ou do outro.Então, que usemos nossa inteligência, a despeito de todo o medo que isso possa nos fazer sentir. Ou seja, que possamos, de uma vez por todas, abrir mão dessa tentativa inútil de controlar o amor, a vida e o outro e nos concentremos em nós, em nosso coração e em nossos reais objetivos!Descobriremos que nos ocupar com nossos próprios sentimentos já é trabalho para vida inteira. Descobriremos que agir conforme nossa vontade é o bastante para que nos sintamos preenchidos, embora possamos mesmo vir a sofrer... simplesmente porque o sofrimento é uma possibilidade tão possível quanto a felicidade!E digo mais: só conseguiremos entrar de fato no coração de alguém, mesmo sem termos certeza disso, quando tivermos a audácia e a coragem de nos entregar ao imprevisível; quando conseguirmos compreender que a segurança é mérito pessoal, interno, sentimento que não se pode ter em relação a ninguém além de nós mesmos.Portanto, para todas as pessoas que têm me perguntado sobre qual é o “segredo” para viver o amor sem sentir tanta insegurança, tanto ciúme e tanto medo de sofrer, aproveito este momento para responder: o segredo está em saber se você quer, se você realmente quer! Porque se você quiser e fizer por merecer, agindo você com sinceridade, qualquer possibilidade de dor e sofrimento valerá a pena. Porque quando a gente quer de verdade, com o coração, a magia do amor nos faz entender que sofrer faz parte do caminho e, no final das contas, é tudo crescimento, aprendizagem, evolução e, por fim, a tão desejada felicidade.E não que ela esteja no final do caminho ou no final da vida, simplesmente porque ser feliz é isso: entregar-se ao imprevisível e aceitar a dor e a alegria como partes do amor! E quando penso que essa entrega é realmente difícil, me lembro de uma frase que gosto muito:"Se o seu problema tem solução, relaxe... ele tem solução. E se o seu problema não tem solução, relaxe... ele não tem solução!"É uma frase engraçada, mas muitíssimo sábia. Portanto, quando estiver doendo muito, não resista! Simplesmente relaxe e aceite, pois a resposta virá!

Você é...





Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra. Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora. Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda. Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima. Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia. Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.


Martha Medeiros

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Marcha


Lindo poema de Cecília Meireles que inspirou a música Canteiros de Fagner

As ordens da madrugada
romperam por sobre os montes:
nosso caminho se alarga
sem campos verdes nem fontes.
Apenas o sol redondo
e alguma esmola de vento
quebram as formas do sono
com a idéia do movimento.
Vamos a passo e de longe;
entre nós dois anda o mundo,
com alguns mortos pelo fundo.
As aves trazem mentiras
de países sem sofrimento.
Por mais que alargue as pupilas,
mais minha dúvida aumento.
Também não pretendo nada
senão ir andando à toa,
como um número que se arma
e em seguida se esboroa,
- e cair no mesmo poço
de inércia e de esquecimento,
onde o fim do tempo soma
pedras, águas, pensamento.
Gosto da minha palavra
pelo sabor que lhe deste:
mesmo quando é linda, amarga
como qualquer fruto agreste.
Mesmo assim amarga, é tudo
que tenho, entre o sol e o vento:
meu vestido, minha música,
meu sonho e meu alimento.
Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos ristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentameno.
Como tudo sempre acaba,
oxalá seja bem cedo!
A esperança que falava
tem lábios brancos de medo.
O horizonte corta a vida
isento de tudo, isento...
Não há lágrima nem grito:
apenas consentimento.

Cecília Meireles

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Entre a dor e o nada - Rosana Braga


Não quero defender as relações falidas e que só fazem mal, nem estou sugerindo que as pessoas insistam em sentimentos que não são correspondidos, em relacionamentos que não são recíprocos, mas quero reafirmar a minha crença sobre o quanto considero válida a coragem de recomeçar, ainda que seja a mesma relação; a coragem de continuar acreditando, sobretudo porque a dor faz parte do amor, da vida, de qualquer processo de crescimento e evolução.Pelas queixas que tenho ouvido, pelas atitudes que tenho visto, pela quantidade de pessoas depressivas que perambulam ocas pelo mundo, parece que temos escolhido muito mais vezes o “nada” do que a “dor”.Quando você se perguntar “Do que adianta amar, tentar, entregar-se, dar o melhor de mim, se depois vem a dor da separação, do abandono, da ingratidão?”. Pense nisso: então você prefere a segurança fria e vazia das relações rasas? Então você prefere a vida sem intensidade, os passos sem a busca, os dias sem um desejo de amor? Você prefere o nada, simplesmente para não doer? Não quero dizer que a dor seja fácil, mas pelo amor de Deus, que me venha a dor impagável do aprendizado que é viver. Que me venha a dor inevitável à qual as tentativas nos remetem. Que me venha logo, sempre e intensa, a dor do amor...Prefiro o escuro da noite a nunca ter me extasiado com o brilho da Lua...Prefiro o frio da chuva a nunca ter sentido o cheiro de terra molhada...Prefiro o recolhimento cinza e solitário do inverno a nunca ter me sentido inebriada pela magia acolhedora do outono, encantada pela alegria colorida da primavera e seduzida pelo calor provocante do verão...E nesta exata medida, prefiro a tristeza da partida a nunca ter me esparramado num abraço...Prefiro o amargo sabor do “não” a nunca ter tido coragem de sair da dúvida...Prefiro o eco ensurdecedor da saudade a nunca ter provado o impacto de um beijo forte e apaixonado... daqueles que recolocam todos os nossos hormônios no lugar!Prefiro a angústia do erro a nunca ter arriscado...Prefiro a decepção da ingratidão a nunca ter aberto meu coração...Prefiro o medo de não ter meu amor correspondido a nunca ter amado ensandecidamente.Prefiro a certeza desesperadora da morte a nunca ter tido a audácia de viver com toda a minha alma, com todo o meu coração, com tudo o que me for possível...Enfim, prefiro a dor, mil vezes a dor, do que o nada...Não há – de fato – algo mais terrível e verdadeiramente doloroso do que a negação de todas as possibilidades que antecedem o “nada”.E já que a dor é o preço que se paga pela chance espetacular de existir, desejo que você ouse, que você pare de se defender o tempo todo e ame, dê o seu melhor, faça tudo o que estiver ao seu alcance, e quando achar que não dá mais, que não pode mais, respire fundo e comece tudo outra vez...Porque você pode desistir de um caminho que não seja bom, mas nunca de caminhar...Pode desistir de uma maneira equivocada de agir, mas nunca de ser você mesmo...Pode desistir de um jeito falido de se relacionar, mas nunca de abrir seu coração...Portanto, que venha o silêncio visceral que deixa cicatrizes em meu peito depois das desilusões e dos desencontros... Mas que eu nunca, jamais deixe de acreditar que daqui a pouco, depois de refeita e ainda mais predisposta a acertar, vou viver de novo, vou doer de novo e sobretudo, vou amar mais uma vez... e não somente uma pessoa, mas tudo o que for digno de ser amado!

Futuros amantes


Chico Buarque
Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

terça-feira, 11 de dezembro de 2007


Ai, que vida boa, olerê
Ai, que vida boa, olará

Tenho medo que a liberdade se torne um vício...

Quando li esta frase, escrita em uma camiseta, não consegui ver o autor. Mas achei lindo. Parece meio Gabriel Garcia Marquez, não é? E isso ficou ecoando na minha cabeça. O dia todo. Me perseguindo, me fazendo pensar. Foi porque mal eu li essa frase me identifiquei totalmente com o conteúdo. Afinal, existe coisa mais viciante que a liberdade? Quando a conheci, há um tempo, eu tive medo. Tive medo da própria liberdade e medo de estar sozinha. Mas depois acabei descobrindo que eu nunca estive realmente sozinha. Eu sempre estive acompanhada de mim mesma. E... Quer saber do que mais? Eu gosto da minha companhia. Mas ainda assim tenho medo... Medo de gostar demais de estar sozinha. Dessa liberdade que vicia. Porque, sim, a liberdade vicia. É fácil habituarmo-nos a não dar satisfações. A não justificar os nossos atos e palavras. E custa-me pensar que posso me vir a tornar um bicho do mato. Tenho medo de perder a capacidade de responder às perguntas, medo de me irritar com banalidades cotidianas e medo de não ser mais capaz de dar uma justificação sem me sentir presa.
Ah, querem saber o autor da frase? É um jornalista português chamado Miguel de Sousa Tavares. A frase está no livro Rio das Flores. E o parágrafo inteiro é esse aqui:
Tenho medo de uma coisa que tu não temes: que, depois de conhecer a liberdade, de ter viajado e vivido em países livres, não me volte a habituar a viver de outra maneira. Tenho medo que a liberdade se torne um vício, enquanto que agora é apenas uma saudade.

Blog O perigo mora ao lado

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Barro do vida


Barro da vida
::Vivaldo Coaracy::

A vida de cada um de nós é o punhado de barro que nos é dado para que o trabalhemos e aperfeiçoemos, de acordo com as nossas capacidades e gostos, imprimindo-lhe à marca de nossa personalidade, transmitindo-lhe o que em nós houver, dando-lhe um destino. É a tarefa que nos cabe: fazer alguma coisa com a vida que vivemos. Só assim a justificamos. É o preço que devemos pagar pela nossa passagem pelo mundo.

Nem a todos é dado fazer da própria existência uma obra de arte, um exemplo de beleza ou de bondade – porque o belo e o bem se confundem para abrir no coração dos outros um clarão de alegria, para distribuir em torno de si a graça de um sorriso. Raros, muito raros, são os escultores que transformam o barro vil da própria vida em fonte de inspiração capaz de trazer às almas dos outros as horas preciosas de alegria, de esperança ou de paz. São os Artistas, os Sábios e os Santos.

Não há, porém, que desprezar pela sua humildade a bilha em que repousa a água que dessedenta, o pote em que se coze o alimento do simples. O trabalho do oleiro é o que ele pode dar de si, é o que está na sua aptidão e capacidade. Não se lhe exija mais. Fez da sua vida uma obra de utilidade, cumpriu a sua tarefa. Se as estatuetas deleitam as nobres faculdades do espírito, não são os púcaros menos necessários ao comezinho conforto material. Quem faz da sua vida, porque mais não pode dar, modesto instrumento de utilidade real, cumpre a sua missão humana.

Constituem legião os que, destituídos de dons e de habilidades, nada mais podem fazer com o barro da própria vida do que amoldá-lo em tijolos uniformes e iguais. Entra dia e sai dia, e eles os consomem na rotina monótona da única tarefa que lhes é dado executar. Um dia chegará o alvanel que há de reunir os tijolos, solda-los uns aos outros, combina-los numa estrutura que tanto pode ser o tosto abrigo de um lar pobre como o soberbo palácio da opulência. Os tijolos, todos iguais, tanto servem a um como a outro. Não saberá o tijoleiro, nem lhe importa saber, qual a utilização final da obra de suas mãos. Cumpriu a sua tarefa.

Estatuário de gênio ou mero esculpidor de figurinhas; ceramista isnpirado ou simples torneador de alguidares modestos; tijoleiro humilde que seja, cada um fez com o barro da vida aquilo que era capaz. Todos justificaram a sua existência. Porque todos, cada qual na sua esfera, dentro dos limites impostos pelos seus dons e aptidões, realizaram o destino do homem: Servir.

Porque este, minha filha, é o verdadeiro e supremo sentido da Vida. A existência nos é dada, como um barro maleável, para que, como os meios de que dispomos, a modelemos para com ela fazer alguma coisa de que resulte alegria, proveito ou utilidade para os outros. Só assim nos mostraremos dignos dela. Servir é a lei da vida.

Pedra, flor, espinho - Barão


Hoje, eu não quero ver o sol vou prá noite, tudo vai rolar
O meu coração é só um desejo de prazer
Não quer flor, não quer saber de espinho
Mas se você quiser tudo pode acontecer no caminho
Mas se você quiser sou pedra, flor, espinho
Automóveis piscam os seus faróis
Sexo nas esquinas, violentas paixões
Não me diga não, não me diga o que fazer
Não me fale, não me fale de você (Fale de você, fale de você)
Mas se você quiser, eu bebo o seu vinho
Mas se você quiser sou pedra, flor e espinhoEu quero te ter
Não me venha falar de medo
Não me diga não
Olhos negros, olhos negros
Eu quero ver você
Ser o seu maior brinquedo
Te satisfazer
Olhos negros, olhos negros
Olhos que procuram em silêncio
Ver nas coisas, cores irreais
O seu instinto, é o meu desejo mais puro
Esse seu ar obscuro
Meu objeto de prazer
Mas se você quiser, eu bebo o seu vinho
Mas se você quiser sou pedra, flor, espinho
Eu quero te ter
Não me venha falar de medo
Não de me diga não
Olhos negros, olhos negros
Eu quero ver você
Ser o seu maior brinquedo
Te satisfazer
Olhos negros, olhos negros

Esbanjando criatividade - Mary


Lá estou eu, de novo, analisando tudo ao redor enquanto a vida passa pelas janelas do carro. Mais algumas semanas e lá se foi outro ano. E que ano... Ultimamente, tenho pensado muito que tudo na vida é uma questão de momento. As pessoas sempre se lembram das conseqüências, mas esquecem o que levou a elas. E se a vida é apenas uma reunião de momentos, será tão passageira quanto eles, por mais que tenham tido um grande significado? "Isto também passará", e a mudança é a única coisa que perdura. A maior tragédia e o maior conforto da vida. Para todos os outros seres do mundo, a felicidade é o desejo de repetição. Mas o tempo humano não gira em círculos, avança em linha reta. Por isso, para nós, as coisas tendem a ficar para trás. Para sempre. Mas significa isto que não podemos ser felizes? Seria a felicidade, para o homem, o desejo de viver um momento para sempre? Não, logo se entediaria. A felicidade deve ser não um estado, mas uma capacidade. Capacidade de seguir adiante, deixar para trás, encarar o novo e o desconhecido. Você é capaz de ser feliz? Eu esperei por muito tempo. Mas nas últimas semanas, em alguns momentos, por pouco tempo talvez... Eu não espero mais. Eu sinto felicidade. São as poucas horas do dia em que penso "estou onde queria, me sinto bem". E o mais importante: cheguei aqui porque vim, não me trouxeram; com minhas pernas, tropeços e calos, estou aqui. Porque na vida não há atalhos. E agora eu espero o momento de não esperar mais.

Blog O perigo mora ao lado

sábado, 8 de dezembro de 2007

Desassosegados - Martha Medeiros




Foi no livro A Caverna, de José Saramago, que o personagem Cipriano Algor definiu seu genro Marçal como um homem "da raça dos desassossegados de nascença". logo pensei ao ler, "eu também sou", assim como você deve estar pensando, "me inclua nessa". À raça dos desassossegados pertencemos todos, negros e brancos, ricos e pobres, jovens e velhos, desde que tenhamos, como característica dessa raça comum, a inquietação que nos torna insuportavelmente exigentes com a gente mesmo e a ambição de vencer não os jogos, mas o tempo, esse adversário implacável. Desassossegados do mundo correm atrás da felicidade possível, e uma vez alcançado seu quinhão, não sossegam: saem atrás da felicidade improvável, aquela que se promete contante, aquela que ninguém nunca viu, e por isso sua raridade. Desassossegados amam com atropelo, cultivam fantasias irreais de amores sublimes, fartos e eternos, são sabidamente apressados, cheios de ânsias e desejos, amam muito mais do que necessitam e recebem menos amor do que planejavam. Desassossegados pensam acordados e dormindo, pensam falando e escutando, pensam antes de concordar e, quando discordam, pensam que pensam melhor, e pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros, e pensam tanto que pensam que descansam. Desassossegados não podem mais ver o telejornal que choram, não podem sair mais às ruas que temem, não podem aceitar tanta gente crua habitando os topos das pirâmides e tanta gente cozida em filas, em madrugadas e no silêncio dos bueiros. Desassossegados vestem-se de qualquer jeito, arrancam a pele dos dedos com os dentes, homens e mulheres soterrados, cavando sua abertura, tentando abrir uma janela emperrada, inventando uns desafios diferentes para sentir sua vida empurrada, desassossegados voltados pra frente. Desassossegados têm insônia e são gentis, lhes incomodam as verdades imutáveis, riem quando bebem, não enjoam, mas ficam tontos com tanta idéia solta, com tamanha esquizôfrenia, não se acomodam em rede, leito, lemantam a falta que faz uma paz inconsciente. Dessa raça somos todos, eu sou, só sossego quando me aceito.

Ah, o apóstrofo...

Concordo contigo, amigão. Foi uma jantinha mesmo. Onde já se viu? Servir pão seco e vinho doce e ainda chamar de ceia? Ainda bem que Michelangelo estava lá com a sua digital by ching ling para fotografar, tratar no photoshop e te enviar por email, não é? Aiai, é por isso que eu amo o Brasil...
Blog: O perigo mora ao lado

Fraguimentos do livro Divã - Martha Medeiros


Fraguimentos do livro Divã – Martha Medeiros –
*Claro que as partes com as quais me identifico.

Não me sinto uma mulher como outras. Por exemplo, odeio falar sobre crianças, empregadas e liquidações. Tenho vontade de cometer haraquiri quando me convidam pra um chá de fraldas.
Vida doméstica é para gatos.

Se ser feliz para sempre é aceitar com resignação católica o pão nosso de cada dia e sentir-se imune a todas as tentações, então é deste paraíso que quero fugir.

Tenho medo de não conseguir manter minhas idéias, meus pontos de vista, minhas escolhas (...) Eu tenho medo é da lucidez. Tenho medo dessa busca desenfreada pela verdade, pelas respostas. Eu me esgoto tentando morder meu próprio rabo (...) Ok, eu sei que jamais vou derramar um copo de cerveja na cabeça de um homem, nem vou sair nua pelos parques protestando contra o uso de casacos de pele. Eu nunca vou fazer uma extravagância, e é isso que me assusta, por que uma piração de vez em quando pode ser muito bem vinda. Eu não tenho medo de perder o senso. Eu tenho medo é desta eterna vigilância interior, tenho medo do que me impede de falhar.


Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos. Um filme mais ou menos, um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, se acaso, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia. (...) As coisas muito boas e as coisas muito ruins exigem explicação. Coisas mais ou menos estão explicadas por si mesmas.

Perigoso é a gente se aprisionar no que nos ensinaram como certo e nunca mais se libertar, correndo o risco de não saber mais viver sem um manual de instrução.

Sou quase oriental... sou latina muito raramente. Mais tudo mudou ando tão mexicana, por dentro quase histérica.

Eu estou apaixonada mas não é por uma pessoa. Estou apaixonada pela lembrança de algo leve, solto e rápido, como uma bola de gás que escapa da nossa mão e passa a ficar cada vez menor e mais distante. Estou apaixonada pelo impacto da vida, por um tiro certeiro e bem mirada, pelo arrebatamento provocado pelo descuido das minhas defesas.(...)
Um homem diz que você é linda, espetacular, a pessoa mais interessante que ele já conheceu e você, se tiver o miolo mole e vários anos de casada, acredita.

Talvez lembre de mim como uma mulher vivida, descolada, que lida bem com relações descartáveis, logo eu que odeio copos de plásticos, canudinhos, tudo que não dure.

Não gosto de nada que é raso, de água pela canela. Ou mergulho até encontrar o reino submerso de Atlântida, ou fico à margem, espiando de fora. Não consigo gostar mais ou menos das pessoas, e não quero essa condescendência comigo também.

Achei que ao chegar à meia idade seria presenteada com uma coisa que vale ouro: letargia cerebral. Jurava que depois dos 40 anos iria sossegar o facho. Teria as mesmas necessidades que os outros, pensaria como os outros, me enquadraria num comportamento aceitável.

Porque o banho é um ritual rotineiro e sexo não? Por que o sexo tem que vir com garantias de amor, reciprocidade, atestado de saúde, carteira de identidade? Sexo deveria se como uma chuveirada. Uma gargalhada.

Detesto dormir tarde (...) madrugada é para quem tem gás, e eu sou movida à energia solar.

Uma vida sem sustos. È o que desejo pra mim. Não estou dizendo uma vida sem decepções, frustrações ou êxtases: sem sustos apenas. Quero aceitar a potência dos meus sentimentos e não ficar embaraçada diante de reações incomuns. Poder receber uma ventania de pé, mesmo que ela me desloque de onde eu estava. De pé, mesmo com medo. Não mais em posição fetal.

Não gosto da vida em banho-maria, gosto de fogo, pimenta, alho, ervas, por um triz não sou uma bruxa. (...)

Não gosto que me peçam para ser boa, não me peçam nada, mesmo aquilo que eu posso dar. As relações de dependência me assustam. Não precisem de mim com hora marcada e por motivo concreto, precisem de mim a todo instante, a qualquer hora, sei ouvir o chamado silencioso da amizade verdadeira, do amor que não cobra, estarei lá sem que me vejam, sem que me percebam, sem que me avaliem.

Ando com preguiça de interpretar o mundo, de entender as pessoas, de procurar os setes erros. Gostaria de ter todas as respostas na última página, de ter um manual de atitudes sensatas, de ter pensamentos voltado pra Meca. Queria que houvesse um serviço de telessoluções entregues em domicílio em menos de meia hora. Deus, ando abençoando a alienação.

Eu me exijo desumanamente. Tenho impressão de que se eu não tiver uma vida bem argumentada ela vai se esfarelar em minhas mãos. Sou garimpeira, quero sempre cavoucar a razão de tudo, não consigo dar dois passos sem rumo determinado.

Beijo que te quero mais! - Rosana Braga



Beijo deveria ser moeda de pedágio. Passar pela porta de casa seria proibido sem antes lascar um beijo na mãe, no pai, no irmão, no filho, no marido e, para quem gosta, até no cachorro! Beijo deveria ser como bolinha de sabão. Num sopro, a gente poderia mandar alguns pelos ares, que explodiriam na pele de quem neles encostassem. E de repente, sem saber de onde veio, seríamos presenteados com um beijinho perdido pelas ruas da cidade... Beijo deveria ser elemento químico. Constar na Tabela de Elementos que a gente tem de decorar para a prova de química, no colégio. Assim, certamente seria mais interessante e ainda ensinaria qual a fórmula mágica deste estalo tão bom... Beijo deveria caber num envelope, mesmo que fosse dos maiores, mas que pudéssemos enviá-lo pelo correio, para aquela pessoa que está tão longe e que daria qualquer coisa para sentir o gosto da boca de seu amado. Beijo deveria acender luzes pelo corpo da gente. E quando a energia elétrica entrasse em pane, bastaria que demonstrássemos nosso amor pelas pessoas queridas e qualquer escuridão terminaria... Beijo deveria estar disponível nas vitrines das melhores docerias. Poderia até ter preço especial, mas que pudessem pagar por ele aqueles que aparentemente menos merecessem, porque beijos são realmente transformadores e certamente provocariam reações sensacionais. Mas beijo não é assim. É particular e a gente escolhe em quem quer dar. Porque beijo é um presente que precisa de vontade para ser oferecido. E talvez seja melhor que assim seja: não tão anônimo, não tão sem motivo, nunca forçado, ainda que possa ser pedido. Por fim, é essencial que o beijo seja leve, fluido, sintonizado com a delicadeza própria de quem sabe dar. Na verdade, beijo é sempre dado. Receber é apenas contingência da mais gostosa e prazerosa troca entre duas pessoas que se desejam insanas por alguns instantes, posto que um beijo pode valer mais que a lucidez de uma vida inteira.

(...)


Quase Nada
Composição: Zeca Baleiro e Alice Ruiz


De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada no meu caminho
Será um atalho ou um desvio
Um rio raso, um passo em falso
Um prato fundo pra toda fome que há no mundo
Noite alta que revele um passeio pela pele
Dia claro madrugada de nós dois não sei mais nada
De você sei quase nadaPra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei qual é a parte da tua estrada no meu caminho
Será um atalho ou um desvio
Um rio raso, um passo em falso
Um prato fundo pra toda fome que há no mundo
Se tudo passa como se explica o amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso não é preciso saber mais nada

...Se eu digo: Pare! Você não repare no que possa parecer.

Se eu digo: Siga! O que quer que eu diga você não vai entender...

Mas se eu digo: Venha! Você traz a lenha pro meu fogo acender...

Novas Canções - Tom Coelho


Desejo que você procure o autoconhecimento,
e que ao lado dele, encontre a auto-reflexão.
E que a partir de ambos possa descobrir sua verdadeira vocação.
E descobrindo-a, possa fazer escolhas,nem certas, nem erradas,
mas as ambicionadas e possíveis.
Desejo que você contemple dentro de suas prioridades o equilíbrio como medida justa na busca de sua felicidade. E que a saúde do bolso seja tão valorizada quanto a saúde do corpo e do espírito.
Desejo que você se alimente bem, repouse adequadamente, beba menos e pare de fumar, pratique um esporte prazeroso, aprenda a respirar, a sentar, a meditar, e ainda que não aprenda nada disso, cultive o sorriso no olhar.
Desejo que você visite pais e irmãos, familiares e amigos, próximos ou distantes,esquecidos em filmes super-8, fotos em preto-e-branco, cartas amareladas pela ação do tempo.
Ainda que esta visita seja feita por telefone, e-mail ou sinal de fumaça.
Desejo que você tendo filhos, diga-lhes mais ´sim´ do que não.
E que lhes dê mais a sua presença do que seus presentes.
E que os eduque à imagem e semelhança do que for puro e nobre porque assim são eles em sua essência.
Desejo que você encontre um amor verdadeiro e que seu relacionamento seja forjado no aço do diálogo franco e permanente. E que você seja seletivo, porém flexível.
Que valorize virtudes, mas que seja condescendente com defeitos, seus e dos outros.
Que abdique de amores impossíveis ou não correspondidos.
E que cultive o amor-próprio.
Desejo que você aprecie seu trabalho e que o exerça em lugar digno. E que descubra a importância de suas próprias atitudes para seu desenvolvimento profissional.
Desejo que você tenha anseios e que estes possam ser promovidos ao status de Meta. E que suas metas sejam claras, específicas e exeqüíveis, relevantes e definidas no tempo.
E escritas, a lápis, num papel, tendo a borracha por companheira.
Desejo que você tenha iniciativa, mas também acabativa. Que seja comprometido com você mesmo e seus pares.
Que seja persistente, sem ser teimoso, e que corra riscos, sem ser irresponsável.
Que seja ousado e criativo, curioso e assertivo, líder de direito e de fato.
Desejo que você aprenda com o fracasso, seja resiliente diante das adversidades,
aproveite o momento presente, e aprecie suas conquistas.
Desejo, por fim, que você seja coerente em seus atos, lembre-se dos menos afortunados, trabalhe por um Brasil melhor, escreva música para os olhos, cante novas canções para os ouvidos, e que tenha os pés firmes no chão, e os olhos no firmamento do céu.

20 horas de silêncio por dia

20 HORAS DE SILÊNCIO POR DIA Fabrício Carpinejar  Não é hora de brincar. Não é hora de ser irônico. Não é hora de fazer piada. Não...