quinta-feira, 26 de junho de 2008

Especial nos negócios, especial na família, no amor, na amizade... na vida!!
::José Luiz Tejon Megido::

Começamos imitando. Isso não é errado. A Imitação é um grande elogio. O problema está em imitar o que e a quem... e por quanto tempo ?
Nos programas de MBA, onde dou aulas ao longo dos últimos 20 anos, observo que os alunos ficam encantados com os "casos de sucesso". Admiram os nomes famosos, fazem reverências a Bill Gates da Microsoft, Jeff Bezos da Amazon Books. As "mega corporações" são idolatradas como novos oráculos. E, geralmente o que está longe e inacessível é tido ainda, como exemplo maior de perfeição e idolatria. As capas de revistas exercem enorme fascínio sobre todos e - de repente, ficamos infelizes por não estarmos com a nossa cara, no meio das badalações!
Quanto maior a distância, maior a paixão!?
Observo que essa forma de pensar, válida como fonte de estudos, mas preocupante como modelo de valores de vida, coloca um foco enorme na ilusão dos efeitos e muito pouco na concretitude das causas. E, o que é pior, joga para bem longe de cada um de nós a consciência do enorme poder que carregamos, por trazermos dentro de nós esse mesmo vigor de excepcionalidade.
Especial não é ser o dono de uma rede de televisão. Especial é ter sido camelô, ter acreditado que poderia vender eletrodomésticos via um carnê, e com a animação de um programa de auditório ter conquistado esse império.
Especial não é o ouro, eleito pela humanidade como símbolo da riqueza. Especial é o bicho da seda, que opera a transformação de um verme num patrimônio.
Especial não é o filhote de um dálmata de pedigree ser vendido por R$ 500,00. Especial é a ninhada da vira-lata Catita, que salvou uma criança do ataque de um "pit-bull", ter sido comprada por esse mesmo valor.
Especial não é se apaixonar pela Gisele Bündchen. Especial é se re-apaixonar pela sua esposa, 20 anos após.
Especial não é ter sido o homem mais rico do mundo, no seu tempo. Especial é ter ficado órfão aos sete anos de idade, ter crescido a 1 500km da sua casa, ter sido criado como ajudante numa mercearia , enfrentado a todo um sistema de poder e de preconceitos, ser brasileiro e ter se transformado no Barão de Mauá.
Importante nessa luta pela vida, é a luta interior, que travamos conosco mesmo. Não podemos ser tomados por uma síndrome de que o sucesso só acontece fora da gente. E, não podemos ser dominados por uma sensação de incapacidade, de lugar comum.
Cada um de nós escolhe a quem imitar. Isso começa logo cedo. Nossos pais, parentes, amigos da vizinhança. Uma professora. Um artista, um profissional, um empresário. E, passando o tempo, vamos abandonando essa imitação e caminhamos para sermos nós mesmos. A chave de tudo isso é um dom antigo da sabedoria humana. Olhar, prestar atenção, ter respeito e admiração por alguém que representa algo que gostaríamos de ser um dia, e, necessariamente superar. Esse estado nos coloca em regime de atenção para as coisas boas, nobres, talentosas dessa outra pessoa. Um inimigo pode fazer muito por nós, se nos revela ângulos inteligentes para competirmos. O inverso dessa atitude inteligente é o de menosprezar o crescimento dos outros. É o de sempre procurar os defeitos e nunca as virtudes.
Esteja onde estiver nesse nosso imenso Brasil, olhe ao seu redor. Procure na sua cidade, no seu bairro, no seu estado. Preste atenção nas pessoas que estão sendo especiais. Fazendo a diferença acontecer.
Concorrente nos negócios, estudante, profissional, na família, na vida. Eduque a sua energia para aprender com as vigorosas fontes do próximo. Começar copiando não é desonra é elogio. Criar o seu próprio modelo será a evolução natural disso tudo, pois temos dentro de nós a obrigação de perseguirmos a nossa essência.
Faça isso tudo com velocidade. O tempo não pára. Liberte-se daqueles "enroscos de rio" e use a força da corrente a seu favor. Realidade é o que você pensa! Comece agora a sua lista de especialidades e, inclua-se nela!

José Luiz Tejon Megido é autor do livro "O Vôo do Cisne", professor de MBA de marketing e vendas da ESPM e mestre em educação, artes e história da cultura

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Como se pode ensinar compaixão??

Meu coração fica com o coração dela..."
::Rubem Alves::

FSP - Sabor do saber - São Paulo, terça-feira, 27 de setembro de 2005

"A boca fala do que está cheio o coração": esse é um ditado da sabedoria judaica que se encontra nas escrituras sagradas. Bem que poderia ser a explicação sumária daquilo que a psicanálise tenta fazer: ouvir o que a boca fala para chegar ao que o coração sente. Acontece comigo. Cada texto é uma revelação do coração de quem escreve.
Pois o meu coração ficou cheio com uma coisa que me disse minha neta Camila, de 11 anos. O que ela falou fez meu coração doer. Como resultado, fico pensando e falando sempre a mesma coisa.
A Camila estava na sala de televisão sozinha, chorando. Fui conversar com ela para saber o que estava acontecendo. E foi isso que ela me disse: "Vovô, quando eu vejo uma pessoa sofrendo, eu sofro também. O meu coração fica com o coração dela".
Percebi que o coração da Camila conhecia aquilo que se chama "compaixão". Compaixão, no seu sentido etimológico, quer dizer "sofrer com". Não estou sofrendo, mas vejo uma pessoa sofrer. Aí, eu sofro com ela. Ponho o outro dentro de mim. Esse é o sentido do amor: ter o outro dentro da gente. O apóstolo Paulo escreveu que posso dar tudo o que tenho aos pobres, mas, se me faltar o amor, nada serei, porque posso dar com as mãos sem que o coração sinta.
A compaixão é uma maneira de sentir. É dela que brota a ética. Alguém foi se aconselhar com santo Agostinho sobre o que fazer numa determinada situação. Ele respondeu curto e definitivo: "Ama e faze o que quiseres". Pois não é óbvio? Se tenho compaixão, nada de mau poderei fazer a quem quer que seja.
Fernando Pessoa escreveu um curto poema em que descreve a sua compaixão. Por favor, leia devagar: "Aquele arbusto fenece, e vai com ele parte da minha vida. Em tudo quanto olhei fiquei em parte. Com tudo quanto vi, se passa, passo. Nem distingue a memória do que vi do que fui". Compaixão por um arbusto... Ele explica esse mistério da alma humana dizendo que "em tudo quando olhei fiquei em parte. Com tudo quanto vi, se passa, passo...". Os olhos, movidos pela compaixão, o faziam participante da sorte do pequeno arbusto.
Eu já sabia disso, mas nunca havia enchido o meu coração a ponto de doer. Doeu porque liguei a fala da Camila a essa tristeza que está acontecendo no Brasil. Os corruptos são homens que passaram pelas escolas, são portadores de muitos saberes. Tendo tantos saberes, o que lhes falta? Falta-lhes compaixão.
A falta de compaixão é uma perturbação do olhar. Olhamos, vemos, mas a coisa que vemos fica fora de nós. Vejo os velhos e posso até mesmo escrever uma tese sobre eles, se eu for um professor universitário, mas a tristeza do velho é só dele, não entra em mim. Durmo bem. Nossas florestas vão aos poucos se transformando em desertos, mas isso não me faz sofrer. Não as sinto como uma ferida na minha carne. Vejo as crianças mendigando nos semáforos, mas não me sinto uma criança mendigando em um semáforo. Vejo os meus alunos nas salas de aulas, mas meu dever de professor é dar o programa e não sentir o que os meus alunos estão sentindo.
De que vale o conhecimento sem compaixão? Todas as atrocidades que caracterizam os nossos tempos foram feitas com a cumplicidade do conhecimento científico. Parece que a inteligência dos maus é mais poderosa que a inteligência dos bons.
Sabemos como ensinar saberes. Há muita ciência escrita sobre isso. Não me lembro, no entanto, de nenhum texto pedagógico que se proponha a ensinar a compaixão. Talvez o livrinho "Como Amar uma Criança", do Janusz Korczak -mas Korczak é uma exceção. Ele sabia que, para ensinar algo a uma criança, é preciso amá-la primeiro. Korczak era um romântico. Por isso o amo.
Aí, fiz a mim mesmo uma pergunta pedagógica: "Como ensinar a compaixão?". Conversando sobre isso com minha filha Raquel, arquiteta, ela se lembrou de um incidente dos seus primeiros anos de escola, quando ainda era uma menina de sete anos. Seria o aniversário da faxineira, uma mulher que todos amavam. A classe se reuniu para escolher o seu presente. Ganhou por unanimidade que, no dia do seu aniversário, as crianças fariam o seu trabalho de faxina. Disse-me a Raquel que a faxineira chorou.
Sei que as crianças aprendem com um olhar especial, o olhar de suas professoras. Elas sabem quando as professoras as olham com os mesmos olhos com os quais Fernando Pessoa olhava o arbusto quando escreveu o poema. Sei também que as histórias provocam compaixão quando o leitor se identifica com um personagem. Sei de um menininho que se pôs a chorar ao final da história "O Patinho que Não Aprendeu a Voar". Ele teve compaixão do patinho. Identificou-se com ele. Vai carregar o patinho dentro de si, embora o patinho não exista. Lemos histórias para as crianças e para nós mesmos não só para ensinar a nossa língua mas também para ensinar a compaixão.
Mas continuo perdido. Preciso que vocês me ajudem. Como se pode ensinar a compaixão?

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O que é ser uma pessoa madura?


Cheguei a conclusão que a maturidade é amor próprio. E principalmente se aceitar.


SER MADURO é admitir sim os sentimentos e acima de tudo se orgulhar da capacidade de sentir e expressar estes sentimentos sempre que possível. Mais é também a capacidade de sair de cena. Se o outro disse ou demonstrou que não quer, que não pode retribuir o que sentimos, o mínimo que podemos fazer é respeitá-lo e – sobretudo – tentar manter nossa dignidade moral diante deste “NÃO”.

SER MADURO é fazer ESCOLHAS. Parece que estamos enxergando o mundo como uma imensa VITRINE DE DOCES. Tem vários, um mais apetitoso que o outro. Diversas opções. Difícil escolher, é verdade! Daí, acreditamos que dar uma mordida em cada um resolve todas as nossas angústias. Ou seja, existem muitas pessoas interessantes, que beijam bem, que sabem seduzir e dar prazer... Parece que passamos a acreditar que temos o direito de experimentar todas. Um dia cada uma. E, ao mesmo tempo, não queremos nenhuma. Sustentamos a falsa impressão de que isso satisfaz muito mais do que escolher apenas um doce, mas sabemos – e sentimos! – a real conseqüência desta imprudência: uma baita dor de estômago e uma “senhora dor de barriga”. As sensações de solidão, vazio e incompetência só aumentam

SER MADURO é saber o que realmente importa para nós, e ir atrás do que importa sem ligar se estamos sendo modernos ou não. É tirar as nossas máscaras e arriscar sermos nós mesmos, e admitir sentimentos como medo, solidão, tristeza, desespero, confusão, aflição e claro amor, paixão, carinho. Todas as pessoas são capazes de sentir, ainda que nem todas se permitam entrar em contato com seus sentimentos! Todo mundo que está vivo, inevitavelmente está exposto aos sentimentos difíceis: saudade, tristeza, desespero, sensação de abandono, ciúme, insegurança, ansiedade, solidão, etc.; assim como também está sujeito às maravilhosas surpresas da vida, à possibilidade de superar os momentos mais dolorosos e a experimentar ocasiões imperdíveis.

domingo, 8 de junho de 2008

Não olhe para os pneus

Não olhe para os pneus
por Gilberto Cabeggi - gilberto.c@leaf.ocn.ne.jp

Um dia, conversando com um instrutor de auto-escola perguntei-lhe o que dificultava tanto o aprendizado para os alunos iniciantes. Ele me disse que o maior problema é que durante o percurso de treino o aluno olha para os pneus de proteção nas laterais da pista em vez de olhar para o caminho a seguir. E acabam batendo nos pneus.Isso me fez pensar que esse é o procedimento de grande parte das pessoas, não só quando estão dirigindo, mas em tudo o que fazem na vida: em vez de olhar para o caminho, em vez de focar em seus sonhos, olham apenas para os obstáculos. E acabam colidindo com eles, acabam deixando que eles os impeçam de seguir em frente e realizar os seus sonhos.A verdade é que tudo aquilo a que você dá atenção se fortalece em sua vida. Se você valoriza as coisas boas, mais elas se tornam fortes e influentes. Mas quando você dá valor aos problemas, às tristezas, ao desânimo, são eles que se tornam vultuosos e atrapalham os seus planos. Focar nos obstáculos tira a alegria de viver e o desvia de seu caminho. Faz com que você patine no mesmo lugar com medo de dar o próximo passo, e esgota suas forças para sair do atoleiro.Por isso, se você quer mesmo viver de maneira plena e feliz decida sempre olhar com bons olhos para tudo de bom que faz parte do seu dia-a-dia. Em vez de olhar para os problemas busque enxergar soluções. Prefira olhar com gratidão para todo aquele caminho que você já percorreu, ao invés de se lamuriar pelo trecho que lhe falta percorrer. Valorize um pequeno sorriso que recebeu em vez de amargar o seu dia com as reclamações do seu vizinho. Vibre com a possibilidade de passar um domingo inteiro com seu filho em vez de se lamentar por não poder ir jogar futebol e beber com os amigos nesse fim de semana.Lembre-se: em um roseiral você pode alegrar-se com as cores, a beleza e o perfume das flores, ou pode resmungar dos espinhos que o arranham vez por outra.Tenha prazer de viver cada momento, sabendo que eles são tão importantes quanto os sonhos que você quer realizar. Não importa onde você está. O que importa é como você está se sentindo naquele lugar. O que importa é o quanto você está feliz naquele momento.Quando você estiver em busca de seus sonhos faça com que cada passo da jornada valha a pena. Viva cada momento da forma mais feliz possível. Isso o ajudará a manter sua atenção voltada para o caminho que leva à realização. Lembre-se: não olhe para os pneus. Não fixe sua atenção nos obstáculos que você vai ter que enfrentar. Foque no caminho a seguir. Olhe para as trilhas que o levam à realização de seus sonhos. Curta e comemore cada momento da viagem como se já tivesse chegado ao seu destino. E sua jornada terá sempre muito mais prazer e felicidade.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O que pode e o que não pode - Regina Valadares

Está terminantemente proibido desistir de ser feliz. Não batalhar pelos próprios sonhos, achar que a vida não tem sentido. Não vale a pena se apegar ao que não está bom, ter medo do novo, fingir ser o que não é. E sofrer por antecedência, acreditar na onipotência, optar pela solidão. Por nada nesse mundo deixar o dia de hoje passar, esperando o amanhã ou reclamando do ontem. Não ignore os sinais nem teime nos descaminhos. Se algo insiste em não dar certo é porque não é para ser. Aceite o inevitável. Transforme um desagrada em aceitação. Junte o yin com o yang. Integre.
Não vale desanimar diante das dificuldades, achar que a sorte está contra você ou sucumbir ao julgamento do outro. Assuma o seu valor. Se desespere por um dia. Aceite limites. Seja flexível. Não brigue com as adversidades. Cada vez que der vontade de reclamar da sorte porque as coisas não acontecem como quer, lembre-se de que foi a sua escolha. Você quis assim. Não julgue se é bom ou ruim o que está vivendo. Aceite a sua história e a viva da melhor maneira possível. Busque dentro de você as respostas. Medite. Reconheça suas falhas. Acredite. Acredite, com força, que tudo vai dar certo.
É um direito seu ser amada. Não existe sobre a terra alguém como você. Deixe de ser carrasco de si mesmo. Batalhe pelo seu querer. Delete pensamentos nefastos. Não dê ouvidos à maldade alheia. Confie na sua intuição. Seja solidária. Compartilhe as vitórias e aprenda com as derrotas. Nunca abandone os amigos. Tenha tempo para quem precisa de você. Agradeça. Siga seu instinto. Encare os inimigos como grande aliados . Não sofra em vão. Aprenda as lições. Seja gentil consigo. Permita-se faltar à ginástica, chorar diante do espelho, comer uma caixa de bombons inteira de pura ansiedade. Seja humana. Não seja super. Abra mão de ter sempre razão. Mude. Compreenda as pessoas. Busque a felicidade. Aceite as tristezas. Peça desculpas.
Peça desculpa sempre que necessário.
Ria muito. Ame muito. Beije muito. Permita-se ser gostada. Não guarde mágoas. Não tente ser perfeita. Saia da sua torre. Escolha a liberdade. Troque o ter pelo ser. Cumpra a s suas promessas. Viva um dia de cada vez. Peça ajuda. Aceite o que é diferente. Admita que estava errada. Escute mais, organize-se. Enfrente as dúvidas. Assuma riscos. Cuide da fé. Integre o que não gosta. Deixe passar a dor. Tome a iniciativa. Faça as pazes. Se dê novas chances. Invente saídas. Não faça tudo sozinha. Tenha fé nas suas escolhas.

20 horas de silêncio por dia

20 HORAS DE SILÊNCIO POR DIA Fabrício Carpinejar  Não é hora de brincar. Não é hora de ser irônico. Não é hora de fazer piada. Não...