domingo, 27 de abril de 2008


Parte de Nós
Antonio França

Espero que você possa aceitar as coisas
como elas são...
Sem pensar que tudo conspira contra você...
Porque parte de nós é entendimento....
Mas a outra parte é aprendizado...

Que você possa ter forças para vencer
todos os seus medos...
Que no final possa alcançar todos os seus
objetivos...
porque parte de nós é cansaço...
mas a outra parte é vontade...

Que tudo aquilo que você vê e escuta possa
lhe trazer conhecimento...
Que essa escola possa ser longa e feliz...
Porque parte de nós é o que vivemos...
Mas a outra parte é o que esperamos...

Que a manhã possa lhe oferecer todo
dia a divina luz..
Que você possa fazê-la seu único
e verdadeiro caminho...
Porque parte de nós é dúvida...
Mas a outra parte é crença...

Que você possa aprender a perder
sem se sentir derrotado...
Que isso possa fazer você cada vez mais
guerreiro...
Porque parte de nós é o que temos...
mas a outra parte é sonho...

Que durante a sua vida você possa
construir sentimentos verdadeiros...
que você possa aceitar que só quem soube
a sombra.; pode saber a luz...
Porque parte de nós é angústia...
Mas a outra parte é conforto...

Que você nunca deixe de acreditar...
Que nunca perca sua fé...
Porque parte de Deus é amor...
E a outra parte também!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

O Pequeno Príncipe - Antony de Sant Exupery


E foi então que apareceu a raposa:
- Boa dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.



Mas a raposa voltou à sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.



O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!



Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Meros Detalhes??


Os detalhes nunca são meros!
:: Rosana Braga ::

Mero significa “sem importância, vulgar”, e definitivamente, todos os que dizem: “ah, são meros detalhes”, enganam-se profundamente.
São sempre os detalhes que fazem a diferença, em todos os sentidos! Numa construção, num desenho, num corte de cabelo e, igualmente, num relacionamento, são os detalhes que vão atestar se algo está realmente bom ou não!
Saiba que quando algo é visto por cima, sem profundidade, sem que se percebam as menores características, é muito mais fácil passar por bom, mas quando se olha diretamente nos detalhes é que se pode ver o real valor ou significado de todas as coisas.
Lembre-se sempre disso, pois a correria do dia-a-dia muitas vezes nos faz esquecer dos detalhes e passamos a vida toda vivendo somente o superficial e acreditando que o resto... são meros detalhes. Não nos damos conta de que nesses meros detalhes está nossa felicidade.
Não percebemos que, muitas vezes, um “simples” sorriso é capaz de nos transmitir tanta força, que um “mero” abraço nos traz tanta alegria, que “apenas” um olhar, em alguns momentos, significa tanto carinho...
E então, deixamos de falar do quanto gostamos de alguém, do quanto precisamos de afeto, do quanto necessitamos ser notados, reconhecidos nos menores gestos, nas mais verdadeiras, no entanto, menos valorizadas demonstrações de amor...
A vida passa muito rápido e os detalhes, que por vezes nos parecem tão pequenos, são o que realmente levamos dessa vida; são os detalhes que preenchem as lembranças que jamais esqueceremos!
Não deixe que a sua felicidade passe desapercebida. Fique atenta aos detalhes: sorria mais, faça mais as coisas que tem vontade, mostre mais o que você sente de bom pelas pessoas, fale mais de suas dificuldades e peça mais ajuda, mas não espere uma solução mágica e gigante, pois ela também está nos “menores” detalhes...
Assista mais aos pôres-do-sol, sinta mais o calor do dia, concentre-se mais, dê um beijo... beijar pode parecer apenas um detalhe, mas se for: que detalhe bom!
Toque mais a pele das pessoas, olhe mais para quem você ama e descubra os detalhes do seu corpo, a maravilha que é cada mão, cada olho, cada perna, cada braço...E o sabor dos alimentos? Coma mais devagar, beba com mais prazer, viva a sua vida mais intensamente, sem se esquecer de nenhum detalhe.
Saiba que todo mundo carrega um segredo que só você pode descobrir, porque cada um descobre do seu próprio jeito. Não perca a oportunidade de descobrir o maior número de segredos que conseguir. É verdade que este segredo pode ser apenas um detalhe, mas certamente é precioso, é fundamental e é um pedaço de amor!

terça-feira, 15 de abril de 2008

Você sofre para aprender ou para se perder, ou simplesmente não sofre?


:: Rosana Braga ::

Que todo mundo sofre, a gente pode imaginar. Sinceramente, creio que não haja sequer um ser vivo nesta dimensão que não sofra. Jesus Cristo sofreu, Dalai Lama sofre, Bin Laden sofre, Angelina Jolie e Brad Pitt sofrem, Bill Gates sofre, Xuxa sofre, eu sofro e suponho que você também...
Então, esse danado de sofrimento tem de servir para algo de bom! Mas depende de nós, de como reagimos à dor, de como encaramos os momentos de angústia e aflição...
Aprender a transformar a dor em amadurecimento é uma tarefa que exige topete, como diria minha avó! E parte do princípio de que existem três caminhos para lidar com ela, sendo que apenas um deles pode nos conduzir a uma condição realmente válida: a transformação do sofrimento em consciência e, consequentemente, em felicidade:
1- fingir que não estamos sofrendo, desconectarmo-nos da dor, vestirmos uma armadura e simplesmente não entrarmos em contato com aquilo que nos machuca e nos faz perceber o quanto não sabemos lidar com a situação e, portanto, o quanto ainda temos o que aprender...
2- sofrer exageradamente, descabidamente, nos perdendo e nos desrespeitando; passarmos a implorar pela atenção e pela piedade do outro; ignorar nossa auto-estima e, por fim, mais do que nos despedaçarmos para depois nos recompor, permitir que a dor nos faça desmanchar, até que já não mais saibamos quem realmente somos...
3- sofrer intensa e dignamente, até compreender e assimilar que a dor é um aprendizado, um amadurecimento, um convite ao mundo de Gente Grande; usar a dor para evoluir, fazer diferente, reconhecer nossas limitações e transcendê-las...
Claro que a terceira opção é a mais difícil; é como arrancar a ferida sem anestesia, porque não há remédio que alivie; é fundamental sentir o que há para ser sentido, sem mascarar, sem amortecer. Sendo assim, só existe uma coisa a fazer: encarar a si mesmo e sofrer até que desabroche o grande ensinamento. Eis aí a mais pura e eficiente sabedoria.Todos os problemas resolvidos? De forma alguma. A vida é cíclica. O Universo é perfeito; e se aqui estamos para nos tornarmos melhores, haveremos de entrar no ritmo de uma dança que intercala alegria e tristeza, amor e indiferença, equívocos e acertos, dor e felicidade... num compasso que pede, enfim, cada vez mais felicidade e menos dor!Como? Estando atentos todos os dias. Admitindo os erros e nos acolhendo. Reconhecendo o crescimento e festejando. Olhando pra isso tudo do modo mais carinhoso que conseguirmos, sem desistir: o trabalho é de formiga, dia a dia, passo a passo, sem nunca parar...É assim: a gente repete o erro várias e várias vezes, porque uma coisa é saber e a outra é sentir e fazer... Primeiro a gente descobre que está fazendo errado (saber); aí tenta fazer o certo, mas ainda não sente e erra de novo. Até que, um belo dia, a gente acorda e pensa “caramba, por que é que estou fazendo isso desse jeito?”.Cai a ficha, finalmente, e daí não tem mais jeito, a gente acerta, acerta, acerta... Só que, num outro belo dia, algo acontece e a gente se fragiliza... e quando vê, está lá, errando de novo. E assim caminha a humanidade...
O segredo?!? Acertar mais vezes do que errar, porque acertar sempre é impossível. É por isso que o caminho não tem fim, porque a gente nunca sabe tudo... Num dia, tá lá em cima, noutro dia, lá em baixo... É o paradoxo que nos dá a noção do que realmente desejamos...Por essas e outras, mais do que se culpar ou se afogar em lágrimas deliberadamente, procure saber e sentir, viver e agir, amar e, a despeito dos inevitáveis enganos, tentar de novo e nunca desistir, porque o objetivo é ser melhor e ser feliz!

terça-feira, 8 de abril de 2008


Não é à toa que Gandhi foi uma personalidade cuja inteligência é respeitada até os dias de hoje.

A percepção que ele teve sobre 3 palavras foi impressionante: pão, trabalho e ação. Três itens que ele considerou como indispensáveis...

Não basta você ganhar ou doar o pão, é necessário que haja trabalho para que ele exista ou para que se tenha dinheiro para comprá-lo. Da mesma forma que não adianta você ter um trabalho e fazê-lo de forma mecânica, apenas por fazer. É necessário agir para que aconteça a progressão.

Quantas vezes temos o material em mãos e não fazemos o uso adequado dele? De que adianta ter muito dinheiro e perder a liberdade de ir e vir, de poder fazer coisas comuns, de sair de casa quando bem entender? A equidade entre os seres só existirá quando não mais existirem diferenças, e essas podem ser em vários níveis!

Mas o maior problema que temos é achar que somos incapazes de qualquer coisa que possa vir a melhorar nossa vida e a vida dos outros. Subestimamos nossa capacidade de seres inteligentes que povoam o Universo e afirmamos categoricamente que não temos condição de fazer melhor, que não conseguimos melhorar de vida, que somos fracos para largar determinado vício, que a doença é mais forte que nós mesmos.

Gandhi deseja que aprendamos o que a vida nos ensinou... vivemos, sofremos, passamos por alegrias, e não aprendemos nada... parece incoerente, mas não é. A escola tem a função de ensinar, mas aprender depende de cada um.

Deixo aqui um singelo pedido... que ampliemos nossa visão de mundo. O próprio Gandhi disse: "o olho por olho está cegando o mundo"! Saibamos enxergar as pessoas que estão conosco em nossa caminhada como companheiros que também têm necessidades como nós mesmos. Ainda que essa pessoa seja alguém com quem não queremos conviver... ainda que essa pessoa seja alguém muito querida!

E que nossa vida seja mais alegre, pois todas as pessoas possuem algo de bom dentro de si, precisamos aprender a ver esses valores que às vezes se escondem de nossos olhos.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

As pedras no Caminho


A nossa vida é repleta de caminhos intrínsecos. Existem entradas e saídas, subidas e descidas e, inevitavelmente, as ‘pedras’ que nos fazem tropeçar, cair ou mesmo mudar a rota do caminho. Mas afinal de contas, para que mesmo servem essas pedras?
O que chamamos de ‘pedras no caminho’ são exatamente os problemas que encontramos. As barreiras, as dificuldades, tudo aquilo que parece nos levar para o caminho oposto daquele que havíamos traçado anteriormente. Pior que isso, nos leva ao desanimo, à descrença e a desesperança.
Essas ‘pedras’ que tanto nos magoam e incomodam nos dão a impressão de que estamos correndo em círculos, atrás do ‘próprio rabo’. A verdade é que nossas dificuldades são aumentadas a cada dia, ou, a cada conquista, entetanto existe um motivo muito importante para esse fato. Esses obstáculos servem para demonstrar que estamos na jornada de nossa evolução.Cada conquista, seja ela física, espiritual ou emocional, nos leva, sem dúvidas, a subir mais um degrau em nossa escada evolutiva. Cada desejo alcançado traz uma série de acontecimentos que o precedem. Primeiro, temos a necessidade de algo que ainda não sabemos do que se trata; depois, com o autoconhecimento nos tornamos capazes de identificar que necessidade é essa (essa identificação pode demorar de segundos a anos, tudo depende do quanto nos conhecemos, ou ainda, do quanto nos apercebemos de nossa própria existência),
A exemplo desse fato, podemos observar crianças de idades diferentes. Uma criancinha de colo chora, mas não sabe identificar se está com fome, frio ou sono, apenas fica enjoadinha; por outro lado, uma criança de maior idade, não só sabe identificar de onde vem seu desconforto, como sabe ainda dizer se está com frio ou calor, se quer comida ou doces, etc. Assim somos nós, durante toda a nossa vida. Com o passar do tempo aprendemos a identificar o que queremos, o que desejamos, o que precisamos e o que necessitamos. Elencamos nossas prioridades. Depois de termos identificado nossas necessidades passamos a observar as possibilidades que temos em conquistar, procuramos descobrir quais são as ferramentas que estão ao nosso dispor para que consigamos atingir nosso objetivo. Finalmente, vamos à luta, e é nesse momento que as ‘pedras’ aparecem. Essa luta também possui um tempo que não pode ser mensurado. Vai desde uma banal busca de vaga no estacionamento, até a conquista de uma colocação no mercado de trabalho. Desde a procura por um delivery que entregue exatamente a pizza que você deseja naquela noite, até o encontro sublime de seu verdadeiro caminho espiritual. Não importa a dimensão da sua necessidade, ela lhe pertence, é única e exclusivamente sua, e certamente possui inúmeros bloqueios ou barreiras, que dificultam sua concretização. Além disso, quanto maior a necessidade (essa medida somente você é capaz de efetuar, pois existe aqui a Lei da Relatividade), maiores as ‘pedras’ e os obstáculos que você encontrará. Isso acontece por um simples e válido motivo. A cada processo de conquista de nossas necessidades e/ou objetivos, nós evoluímos e aprendemos, passamos por processos mentais, emocionais e espirituais, que nos levam pelo árduo caminho do crescimento. E como verificar se aprendemos as lições que nos são impostas se não através de provas ainda mais complicadas?
Não me cabe aqui definir o que é complicado (novamente a Lei da Relatividade), mas cabe ressaltar que a cada novo caminho, a cada nova identificação de necessidades e a cada novo objetivo, novos obstáculos também surgem diante do nós, nos levando a reforçar lições aprendidas anteriormente e nos induzindo a aprimorar características adormecidas e por vezes ainda novas em nós.
Isso é o processo de ascensão evolutiva! Finalmente, conquistamos nosso verdadeiro objetivo, que vai muito além das vagas de estacionamento, pizzas ou amores perdidos. A verdadeira conquista que nos impulsiona, que nos leva a ser quem somos, a nos transformar a cada dia, e a buscar sempre novos horizontes. Nossa integração com o Todo, através do aprendizado da alma.Isso é evolução!
A partir desse momento quando um novo problema surgir à sua frente, limitando e impedindo suas metas, pense bem! Será que você aprendeu de maneira satisfatória o que tinha que aprender na última conquista? Será que existe algo mais a ser superado em você mesmo? Será que agora você já é capaz de decidir da maneira correta?Aprenda com suas ‘pedras’ e use-as como um medidor de sua própria evolução. Dessa forma, você verá que viver é muito mais simples e que as pedras, apesar de cada vez maiores, são na verdade as mesmas do início da jornada, apenas cresceram tanto quanto você.
Mas não desanime, isso não significa que as ‘pedras’ jamais o deixarão em paz, ou que você nunca encontrará seu equilíbrio; ao contrario disso, as pedras servem para sua auto-avaliação. Quando você realmente aprender o que precisa aprender, então descobrirá finalmente métodos de superar seus problemas, de forma a manter-se em seu constante equilíbrio. Aprenderá a lidar com as ‘pedras’, usando-as como aliadas, e jamais como empecilhos.

Boa jornada para você!


Lara Orlow 

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Nós Somos O Mundo


Transformando o Mundo
:: Elisabeth Cavalcante ::

A maioria das pessoas já sentiu, em algum momento, um profundo anseio por mudar o mundo. Quando olhamos ao nosso redor e vemos o estado atual em que se encontra a humanidade e, por conseqüência, o planeta, é natural que nos domine um profundo sentimento de impotência.
Se pudéssemos, transformaríamos, num passe de mágica, a realidade ao nosso redor, para uma vida mais justa, amorosa, humana e totalmente harmoniosa.
Entretanto, para que alcancemos este sonho ainda distante, só existe um único caminho: mudar a nós mesmos. Enquanto não conseguirmos atingir um estágio profundo de conhecimento acerca de quem somos e o quanto nossa realidade interior se reflete na exterior, nada poderá acontecer.
Esta é uma triste constatação que pode, apesar disso, se transformar num antídoto contra a desesperança. Iniciemos, pois, o quanto antes, a grandiosa tarefa que nos aguarda: a transformação individual, sem a qual nenhuma possibilidade existirá para que curemos a insanidade em que se encontra mergulhado nosso amado planeta.

Osho, "Você é o mundo". Esta é uma das colocações de Krishnamurti que causam confusão... Você poderia dizer algo sobre isso?
A colocação de J. Krishnamurti de que "Você é o mundo" não é confusa de maneira alguma. É muito simples... O mundo é apenas um nome; o indivíduo é a realidade.
...Palavras como o "mundo", a "sociedade”, a "religião", a "nação", são meras palavras sem nenhum conteúdo por trás delas - caixas vazias. Exceto você, não existe mundo. Essa é uma maneira de compreender a colocação: que o indivíduo é a única realidade. E o mundo não é nada mais do que a coletividade de indivíduos, então, seja lá o que for, é uma contribuição de indivíduos... Você não pode jogar a responsabilidade em alguém mais; você tem de aceitar a responsabilidade sobre os seus próprios ombros.
... Você pode ser contra a guerra, pode ser um pacifista, pode ser um manifestante crônico - sempre com uma bandeira protestando contra a guerra, contra a violência.
... Mas a vida é um fenômeno complexo. Os seus protestos, o seu pacifismo, a sua luta contra a guerra ainda é parte da guerra; você não é um homem de paz. E você pode observar isso quando as pessoas protestam - a sua raiva, a sua violência é tão óbvia que a gente pensa por que essas pessoas estão protestando contra a guerra...
Uma boa máscara, mas por dentro está a mesma raiva, o mesmo ódio, a mesma violência, a mesma destrutividade contra qualquer pessoa que não concorda com elas.
... A colocação de J. Krishnamurti de que "Você é o mundo" simplesmente enfatiza o fato de que todo indivíduo, onde quer que esteja, seja lá o que for que faça, deve aceitar a responsabilidade de criar esse mundo que existe ao nosso redor. Se ele é insano, você contribuiu para essa insanidade da sua própria maneira. Se ele é doente, você também é um parceiro em torná-lo doente. E a ênfase é importante - porque a menos que você compreenda que "eu também sou responsável por esse mundo insano e miserável," não existe possibilidade de mudança. Quem vai mudar? Todo mundo acha que alguém mais é responsável.
... Se estiver sofrendo, se estiver miserável, se estiver tenso, cheio de ansiedades, angústia, não apenas se console dizendo que este mundo é feio, que todos os demais são feios, que você é uma vítima. J. Krishnamurti está dizendo que você não é uma vítima, você é um criador deste mundo insano; naturalmente, você tem de participar no resultado de seja lá o que for que tenha contribuído. Você está participando em jogar as sementes, estará participando ao colher a colheita também; você não pode escapar. Para tornar o indivíduo ciente, de forma que ele pare de jogar a responsabilidade nos outros - do contrário, ele começa a olhar para dentro para ver de que maneira ele está contribuindo para toda essa loucura - existe uma possibilidade de que ele possa parar de contribuir.
... Aceitar a sua responsabilidade irá transformá-lo e a sua transformação é o começo da transformação do mundo - porque você é o mundo. Seja lá o quão pequeno for, um mundo em miniatura, mas você carrega todas as sementes. Se a revolução acontece em você, ela carrega a revolução para o mundo todo.
... Se você quiser mudar o mundo, não comece mudando o mundo - essa é a maneira errada que a humanidade tem seguido até agora... Somente uma revolução pode ser bem sucedida, o que não foi tentado até agora - e essa é a revolução do indivíduo. Mude você mesmo. Esteja alerta para não contribuir com qualquer coisa que torne o mundo um inferno. E lembre-se de contribuir com alguma coisa para o mundo que o torne um paraíso.
... Nenhuma revolução pode ter sucesso a menos que a mente humana seja compreendida pelos seres humanos e eles comecem a se comportar de maneira diferente...
Escapar para o Himalaia não vai ajudar porque, mesmo no Himalaia, a sua mente permanecerá a mesma, apenas você não terá a oportunidade de saber disso.
... É um fato simples: as pessoas que escaparam do mundo não acham que são responsáveis por este mundo. Escapando, elas não mudaram o mundo... nem passaram por uma mudança interna nelas mesmas. Por essa razão eu sou contra renunciar ao mundo. Fique no mundo, seja lá o quão difícil for - porque é apenas no mundo que será lembrado, em cada passo, que tipo de mente você está carregando por dentro. E essa mente é projetada no lado de fora e se torna enorme porque tantas mentes estão projetando da mesma maneira. "Você é o mundo" não é uma colocação matemática. "Você é o mundo" é um insight psicológico. E pode se tornar a própria chave para a única revolução que pode acontecer.


Osho, em Sermons in Stones

20 horas de silêncio por dia

20 HORAS DE SILÊNCIO POR DIA Fabrício Carpinejar  Não é hora de brincar. Não é hora de ser irônico. Não é hora de fazer piada. Não...