quinta-feira, 30 de julho de 2009

Paraíso ou inferno?



:: Elisabeth Cavalcante ::

A maioria dos seres humanos tem passado toda a vida debatendo-se entre estes dois símbolos: o inferno e o paraíso. É claro que todos anseiam pelo paraíso, e muitos estão convictos de que ele é um lugar perfeito, para onde iremos após a morte e no qual a dor e o sofrimento são inexistentes.
Entretanto, se observarmos com atenção, podemos perceber que as características que definem ambos os lugares coexistem o tempo todo aqui mesmo em nosso planeta.

Se considerarmos que o inferno é um estado onde a luz se encontra momentaneamente ausente e o paraíso, a condição em que ela brilha em toda a intensidade, podemos inferir que eles se referem ao nosso próprio interior.

Quanto mais identificados estivermos com a negatividade e os sentimentos que ela faz brotar em nós, como: a mágoa, o ódio, o desejo de vingança, mais fortemente experimentaremos o inferno.

O sentimento de vitima também é um componente essencial do inferno interior, pois ele nos paralisa num estado de permanente lamentação, e nos faz jogar sobre o mundo a responsabilidade de nossa infelicidade.

Quando, ao contrário, mudamos de rota e nos conectamos com o bem, a luz e a capacidade de transmutar qualquer evento, por mais negativo que seja, em uma oportunidade de crescimento interior, passamos a vivenciar o outro pólo e descobrirmos que é possível experimentar o paraíso no presente, ao invés de esperar por ele como uma promessa a ser alcançada apenas num futuro distante.

"A vida tem que ser cuidada muito realisticamente. Vocês tem de ver dentro dos seus problemas, vocês tem de ir para suas verdadeiras raízes, vocês tem de queimar a verdadeira raiz de seus problemas....
Vocês estavam procurando por um paraiso?

É o que as pessoas tem estado fazendo por muitas gerações. Elas não mudam a si mesmas, elas procuram por um paraíso, mas onde quer que elas vão elas criarão o inferno.
Elas são o inferno. A questão não é encontrar o paraíso em algum lugar. A menos que você já o tenha em você, não o encontrará em nenhum outro lugar.
Anubodhi me contou uma bela parábola:

Uma vez eu conheci um homem que havia ganho uma viagem com todas as despesas pagas para ambos, o paraíso e o inferno. Perguntaram-lhe onde ele gostaria de ir primeiro. "Eu gostaria de visitar o inferno primeiro, ele respondeu. E então foi providenciado.

Chegando ao inferno, uma grande visão surpreendeu seus olhos. Ele encontrou a si mesmo em um grande banquete, no qual longas mesas estavam repletas de todos os tipos de comida imagináveis.
As pessoas se sentavam ao longo das mesas, garfos pousados sobre a comida, que era cozida deliciosamente e enchia o ar com os mais tentadores aromas - mas ninguém estava comendo.
O homem ficou surpreso, mas quando ele olhou mais perto ele observou que as pessoas estavam todas sofrendo de uma estranha paralisia do cotovelo. Tentavam bravamente, mas elas não podiam levar a comida as suas bocas.

Então isto é o inferno, o homem pensou, viver em um universo abundante, abundante com tudo que uma pessoa poderia necessitar ou desejar, mas privar-se no meio da fartura, incapaz de satisfazer a si mesmo.
Saindo para fora, o homem pediu para se transportado para o paraiso. No paraíso, ele viu o mesmo grande banquete no hall, repleto com as mesmas longas mesas, recobertas com a mesma deliciosa comida. Olhando mais de perto ele notou que as pessoas estavam sofrendo de mesma paralisia do cotovelo.

"Este é o paraíso"!, ele chorou, quase gritando. Mas, depois de uma inspeção mais próxima ele notou uma diferença: Ele viu que entre o paraíso e o inferno havia uma pequena paricularidade a qual fez toda a diferença. O que ele viu foi que no paraíso eles estavam cada um alimentando o outro.
Eles estavam paralisados do mesmo modo, mas eles estavam alimentando ao outro. Era impossível trazer a comida para suas próprias bocas, mas era possível nutrir os outros, e os outros os estavam nutrindo.

Esta era a única diferença. Mas a diferença é interior. Compaixão tem de despertar. A menos que você seja um bodhisattva, onde quer que você esteja você se sentirá no inferno. Quando a paixão é transformada em compaixão... então, onde quer que você esteja, você estará no paraíso. Este é o único paraíso que há".
Osho, O sutra diamante

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Dia do Amigo

Muitos são os amigos que vêm, mas poucos são os que ficam. Porque ser amigo é mais que uma companhia: é ser companheiro.
Ser amigo é mais que abraçar. É passar num abraço todo o amor e carinho.
Ser amigo não é estar presente em todos os momentos, mas fazer-se presente quando necessário.
Ser amigo é mais do que ser otimista. É ser convincente.
Ser amigo é mais que sair para curtir nos fins de semana. É estar presente tanto nos momentos tristes quanto nos felizes.
Ser amigo não é perdoar tudo. É saber relevar e compreender, quando possível, as falhas dos outros.
Ser amigo é mais que olhar junto na mesma direção. É olhar um para o outro e ver todos os defeitos e as qualidades, é amar os amigos pelos defeitos e as qualidades.
Ser amigo é se preocupar com o outro e não se importar em ouvir quando está pronto para sair ou quer ficar sozinho: "Vem aqui por favor, estou precisando de você." E ir mesmo com vontade de ficar, sem se arrepender disso.
Ser amigo é ser a esperança de alguém, ser amigo é ser a luz, é ser o guia, o protetor de alguém.
Ser amigo é ser amor, porque ser amigo não basta gostar ou querer bem. Para ser amigo tem que saber amar e saber a pureza e a doçura da palavra amor.
Para ser amigo tem que saber se doar e sentir a felicidade do reconhecimento do amigo, a felicidade do olhar terno e tímido, do abraço forte e agradecido.
Ser amigo é sentir-se amado por amar e ser feliz com o amor de alguém.
Ser amigo é começar ajudando e terminar sendo ajudado, porque amizade é uma troca.
Ser amigo é ser o companheiro de alguém, é ser o que faltava para que tudo fosse perfeito.

http://www.mensagemdeluz.kit.net/

Feliz Dia do Amigo!

domingo, 19 de julho de 2009

Apenas desfrutar


:: Elisabeth Cavalcante ::

Vivemos perseguindo fórmulas para nos libertar de nossas angústias e limitações. Procuramos em todos os lugares por pessoas que tenham encontrado o segredo da felicidade e que estejam dispostas a nos fornecer alguma pista.

Depois de muita busca e esforços grandiosos, quando finalmente conseguimos alguma chave para entrar em contato com a nossa fonte original, aquela parcela de nós que se mantém imune a todas as agruras da existência material, descobrimos espantados que aquilo que tanto procurávamos estava o tempo todo ali, bem ao nosso alcance.

E para alcançar não é necessário nenhum conhecimento extraordinário, ou o domínio de qualquer tecnologia altamente avançada. O segredo é absolutamente simples: voltar-se para o seu próprio interior e deixar que o silêncio e paz ali existentes venham à tona.

Quando isto acontece, surge também um insight fundamental: a fórmula da felicidade se resume em desenvolver a capacidade de desfrutar de coisas aparentemente insignificantes, mas que quando observadas sob uma nova ótica, se revelam, na verdade, extraordinárias.

Dezenas de milagres são realizados todos os dias pela existência e, no entanto, os ignoramos ou nos acostumamos a olhar para eles sem enxergá-los de verdade. Somente um coração leve, isento de culpas, mágoas e rancores pode se tornar sensível às maravilhas que a vida nos reserva a cada dia.

Quando, ao contrário, só conseguimos nos focar nos acontecimentos onde a negatividade se tornou predominante, anulamos qualquer possibilidade de vivenciar a real dimensão do divino.

... estas pessoas que não podem usufruir de nada - amor, vida, comida, um belo cenário, um por do sol, uma manhã, roupas bonitas, um bom banho - pequenas coisas, coisas ordinárias - se você não pode aproveitar estas coisas, e há pessoas que não podem aproveitar nada: elas se tornam interessadas em Deus. Elas são as pessoas mais impossíveis. Elas podem nunca alcançar Deus.

Deus usufrui estas árvores, de outro modo porque ele as criaria? E ele não está cheio de tudo, de modo algum. Durante milênios ele tem estado trabalhando sobre arvores e flores e pássaros, e ele segue ouvindo. Ele segue recolocando: novos seres, novas terras, novos planetas. E ele é realmente muito muito colorido! Olhe para a vida, observe-a e você verá o coração de Deus - como ele é.

E as pessoas que estão muito pressionadas, incapazes de desfrutar de algo, incapazes de relaxar, incapazes até mesmo de desfrutar de um bom sono, elas serão aquelas poucas pessoas que se tornam interessadas em Deus. E elas se tornam interessadas pelas razões erradas. Elas acham que porque a vida é imprestável, fútil, elas tem que procurar e investigar Deus. O Deus delas é algo contra a vida, lembre-se.

... Deus é a verdadeira realização da vida, Deus é a verdadeira fragrância da vida, Deus é a total unidade orgânica da vida. Deus não é algo que existe como uma pedra morta. Deus não é estático. Deus é um fenômeno dinâmico. Deus não existe, ele acontece. Quando você está pronto, ele acontece.
Não pense que Deus existe em algum lugar e você encontrará um caminho para alcançá-lo. Não, não há lugar, e não há Deus existindo em algum lugar esperando por você.

Deus é algo que acontece para você quando você está pronto. E quando você está pronto, - quando a tristeza desapareceu e você pode dançar, quando o peso desapareceu e você pode cantar, quando o grande peso do condicionamento não está mais no seu coração e você pode flutuar - Deus acontece. Deus não é uma coisa que existe, é alguma coisa que acontece. É dinâmico, unidade orgânica.

E quando Deus acontece, tudo acontece: as árvores, as estrelas, os rios. E para mim, ser capaz de desfrutar é a porta..."
OSHO - Come Follow Yourself

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Cardápio da Alma


Martha Medeiros




Arroz, feijão, bife, ovo. Isso nós temos no prato, é a fonte de energia que nos faz levantar de manhã e sair para trabalhar. Nossa meta primeira é a sobrevivência do corpo. Mas como anda a dieta da alma?

Outro dia, no meio da tarde, senti uma fome me revirando por dentro. Uma fome que me deixou melancólica. Me dei conta de que estava indo pouco ao cinema, conversando pouco com as pessoas, e senti uma abstinência de viajar que me deixou até meio tonta. Minha geladeira, afortunadamente, está cheia, e ando até um pouco acima do meu peso ideal, mas me senti desnutrida. Você já se sentiu assim também, precisando se alimentar?

Revista, jornal, internet, isso tudo nos informa, nos situa no mundo, mas não sacia. A informação entra dentro da casa da gente em doses cavalares e nos encontra passivos, a gente apenas seleciona o que nos interessa e despreza o resto, e nem levantamos da cadeira neste processo. Para alimentar a alma, é obrigatório sair de casa. Sair à caça. Perseguir.

Se não há silêncio a sua volta, cace o silêncio onde ele se esconde, pegue uma estradinha de terra batida, visite um sítio, uma cachoeira, ou vá para a beira da praia, o litoral é bonito nesta época, tem uma luz diferente, o mar parece maior, há menos gente.

Cace o afeto, procure quem você gosta de verdade, tire férias de rancores e mágoas, abrace forte, sorria, permita que lhe cacem também.

Cace a liberdade que anda tão rara, liberdade de pensamento, de atitudes, vá ao encontro de tudo que não tem regras, patrulha, horários. Cace o amanhã, o novo, o que ainda não foi contaminado por críticas, modismos, conceitos, vá atrás do que é surpreendente, o que se expande na sua frente, o que lhe provoca prazer de olhar, sentir, sorver. Entre numa galeria de arte. Vá assistir a um filme de um diretor que não conhece. Olhe para sua cidade com olhos de estrangeiro, como se você fosse um turista. Abra portas. E páginas.

Arroz, feijão, bife, ovo. Isso me mantém de pé, mas não acaba com meu cansaço diante de uma vida que, se eu me descuido, torna-se repetitiva, monótona, entediante. Mas nada de descuido. Vou me entupir de calorias na alma. Há fartas sugestões no cardápio. Quero engordar no lugar certo. O ritmo dos dias é tão intenso que às vezes a gente esquece de se alimentar direito.

Relacionamento


Relações
:: Flávio Gikovate ::

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio.
As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca, hoje, é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século.
O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher - ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino.

A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, pouco romântica por sinal...
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras.
O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração.
Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma.
É apenas um companheiro de viagem.

O homem é um animal que vai mudando o mundo e, depois, tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo, o egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.
A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado, visa a aproximação de dois inteiros e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade.

Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.

Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O Coração


:: Elisabeth Cavalcante ::

Como transformar nosso agir habitual, baseado nos conceitos que predominam em nossa mente, em um novo modo de viver, onde o direcionamento é dado, acima de tudo, pela nossa percepção interior?

Para muitos, este conceito é absolutamente incompreensível, mas entendê-lo passa a ser fácil quando mudamos o foco da cabeça para o coração. Ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, o coração não é um mau conselheiro.

Esta idéia tem como fundamento a confusão entre o coração e as emoções. Estas, sim, podem nos fazer tomar atitudes equivocadas quando se encontram em desequilíbrio.

As emoções negativas sempre se relacionam às necessidades do ego, como aprovação, aceitação, e quando estas não são satisfeitas, geram as reações habituais de mágoa, ressentimento e o desejo de dar o troco.

O coração é a sede do espírito, a dimensão divina do ser, aquela porção de nós onde reside a sabedoria e a consciência mais elevada. Ouvi-lo exige, fundamentalmente, que entremos na dimensão do silêncio, algo somente possível quando a mente e o ego deixam de ser os diretores de nossa vida, para tornarem-se coadjuvantes, cuja participação depende de nossa permissão.

A alegria, a criatividade e, acima de tudo, um relaxamento interior que nos leva a abandonar qualquer ansiedade ou desespero para lidar com as situações que a vida nos apresenta, são o resultado natural desta mudança de enfoque.

Um dos mais surpreendentes mistérios da existência é que, quanto mais utilizamos nossa luz interior, mais ela cresce. Aos poucos, ouvir nosso coração vai se tornando algo tão natural que nenhum esforço grandioso é necessário. Basta que direcionemos nossa atenção para dentro, e a voz interior suavemente sussurra sua verdade.

"O coração é o centro negligenciado. Quando você começa a prestar atenção nele, ele começa a funcionar. Quando ele começa a funcionar, a energia que estava automaticamente indo para a mente, começa a se mover através do coração. E o coração está mais próximo do centro de energia. O centro de energia está no umbigo - assim, bombear energia para a cabeça é, na verdade, um trabalho árduo.

É para isso que existem todos os sistemas educacionais: para ensiná-lo a bombear energia do centro, diretamente para a cabeça. Para ensiná-lo a se desviar do coração. Dessa maneira, nenhuma escola, nenhum colégio, nenhuma universidade ensina a sentir. Eles aniquilam o sentir, porque sabem que, se você sentir, não poderá pensar.

Se você sentir muito, então a energia ficará parada no centro do coração, não irá para a cabeça. Ela só pode ir para a cabeça quando o centro do coração é completamente negado. Ela tem de ir para algum lugar, tem de encontrar uma saída. Se o coração não for a saída, ela irá para a cabeça.

De fato, todo o sistema educacional desenvolvido em todo o mundo é para ensiná-lo a evitar o coração, a como tornar-se mais e mais mental e a como bombear a energia diretamente para a cabeça.

Assim, o amor é negado, o sentimento é negado, condenado - é quase um pecado sentir. A pessoa tem de ser lógica e racional, não emocional. Se você for emocional, as pessoas dirão que você é infantil - de certa forma, eles estão literalmente certos, porque só uma criança sente. Uma pessoa adulta instruída, culta, condicionada, pára de sentir. Ela se torna quase seca, madeira morta - não flui mais nenhum sumo dali. Daí haver tanto sofrimento: o sofrimento é por causa da cabeça.

A cabeça não pode celebrar, não há nenhuma celebração possível através da cabeça - ela pode pensar sobre e sobre e sobre, mas ela não pode celebrar. A celebração acontece através do coração.

Assim, a primeira coisa é começar a sentir cada vez mais e mais. Torne-se uma morada de amor, um santuário de amor; este é o primeiro passo. Uma vez que você dê este primeiro passo, o segundo será muito, muito fácil.

Primeiro, você ama - a metade da jornada está completa. E assim como é fácil mover-se da cabeça para o coração, é ainda mais fácil mover-se do coração para o umbigo. No umbigo você é simplesmente um ser, puro ser".
OSHO, For Madmen Only.

domingo, 5 de julho de 2009


SEXO E AMOR NA VISÃO TAOÍSTA
por Instituto ISI - KATIA@INSTITUTODOSABERINTEGRAL.COM.BR


A falsa idéia de que o sexo é algo separado de nossas vidas é algo que merece nossa atenção no mundo atual. O desejo é uma parte muito importante da experiência humana. Somos apaixonados pelas coisas que mais têm importância para nós: a família, o trabalho, a espiritualidade, uma causa importante, dentre outros. Nosso interesse por esses e outros importantes aspectos da vida contribuem poderosamente para a qualidade de nosso bem estar, nos impulsionando para a tomada de atitudes e ações; é o que nos dá alegria de viver.

O fato de a energia sexual ser tão poderosa é que tem levado a maioria das principais religiões a controlar e restringir o comportamento sexual, especialmente o comportamento das mulheres. Restabelecer a ligação com o desejo é parte da recuperação do nosso poder pessoal.

Compreendendo a natureza da energia sexual poderemos usá-la no corpo e no mundo para fazer grande bem. Estudos ao longo de muitos anos confirmaram uma correlação entre o sexo regular e longevidade, sugerindo que a atividade sexual está associada a uma melhor saúde entre adultos mais velhos ativos sexualmente quando comparados com grupos semelhantes não-ativos. Os hormônios tais como o FEA, uma forma natural de anfetamina ou “hormônio do romance”, o DHEA, precursor de todos os hormônios sexuais, também chamado de hormônio do “antienvelhecimento”, a OXITOCINA, o hormônio do “vínculo”, além da testosterona, do estrogênio e das endorfinas, são liberados no nosso corpo nas mais diversas situações de prazer que experenciamos, desde o ato de fazer amor até quando recebemos afeto e carinho ou quando fomos amamentados no seio materno.

Os taoístas vêem o desejo ou energia sexual (Jing Chi) como parte de nossa energia vital, ou chi. Chi é a força dentro de nós e no Universo que gera a vida; está por trás de toda vida e movimento. Estar apaixonado é estar cheio de chi, mas esse desejo e paixão não incluem somente o sexo; eles também refletem os nossos sentimentos mais fortes sobre a vida.

Os exercícios e práticas taoístas para o amor desenvolverão uma maior conexão com corpo, reduzindo as tensões e o stress, permitindo um maior equilíbrio das emoções e conseqüentemente uma melhora no fluxo de energia vital, abrindo-nos para o fluir da sutileza de nossos outros corpos.

A energia sexual junto com a energia amorosa e a alegria interna do coração irão transformar-se numa fonte de alimento ilimitada para o corpo, a mente e o espírito, gerando uma experiência única de liberdade e contemplação internas.
Amando-se verdadeiramente compreenderá o seu direito como ser plenamente sexual e espiritual, compartilhando suas dádivas com as pessoas amadas e com o mundo.

Laiza Singulani
Instituto ISI

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O que é do outro não nos completa


por Andrea Pavlovitsch - andreapavlovitsch@uol.com.br



O que vem do outro não me completa! Comecei a pensar nisso quando, tempos atrás, me senti muito amada por um homem. Ele fazia tudo para mim: mandava flores, mensagens de texto a cada cinco minutos, dizia que me amava e que queria casar e ter muitos filhos o quanto antes. Eu achava aquilo lindo, mas, não sei, tinha alguma coisa que não batia. Não adiantava muito, sabe? Não me fazia sentir gostosa dentro do peito, quentinha, cheinha. Era muito melhor para o meu ego, do que para a minha alma.

Comecei a perceber que eu ficava mais feliz quando amava alguém (que nem me amava muitas vezes) e quando via essa pessoa, do que quando ele me dava todas aquelas demonstrações de afeto. Foi aí que eu percebi: o que é do outro não nos preenche. O nosso amor é nosso e é muito mais legal amar, do que ser amado. Claro que é perfeito quando as duas coisas acontecem juntas, mas sabemos que nem sempre isso é possível. As vezes o amor acontece de uma forma bem estranha. Ele vem da alma porque nós estamos em conexão com ela (e alma quando gosta, gosta mesmo), mas pode não ir para outro. Esquisito, né? Você amar tanto alguém e isso não significar nada para a outra pessoa.Na verdade, não significa mesmo, se ela não amar também. É a mesma coisa que você descrever a dor que está sentindo quando aquele vaso cai no seu dedinho do pé. Você pode explicar, desmaiar, mas o outro não vai sentir aquilo, não vai sentir dor nenhuma. Com certeza vai se arrepiar e pensar “ainda bem que não foi comigo”. Mas saber, isso realmente nunca.

Recebo muitos e-mails de mulheres dizendo que elas amam e não são correspondidas e que não entendem como isso pode acontecer. Eu digo, acontecendo. O outro nunca é obrigado a sentir o que nós sentimos. Mas, infelizmente, é difícil pra gente entender isso. Uma mulher, principalmente, pode passar a vida convencida de que só falta um pouco, um pouquinho, para aquele cara perceber que a ama. Mesmo que isso seja verdade, pode até ser, assumir é outra história, e precisamos aceitar isso. E, quando o amor do outro vem de graça, não nos satisfaz.

Então, qual é o mistério do amor?Amar. Amar sempre. Amar tudo. Desde as suas plantinhas, seu trabalho, seu homem, sua mulher. Seus filhos, a sua praia preferida, seu corpo, sua sexualidade. Fazendo um exercício de amor a todo o instante, com tudo o que estiver ao nosso redor. Com cada coisa que se mover, ou não. Com cada pessoa que se aproximar. Pode ser que algumas destas pessoas despertem também o desejo sexual. Pode ser que sejam grandes amigos, de coração, que também amamos. Tudo é amor. Tudo é a mesma energia amorosa e contagiante. Tudo é uma questão de aceitarmos isso nas nossas vidas e escolher, sempre, com o coração.

E nada de jogos. Só amor. Mesmo que seja “errado e torto”. Mesmo que todo mundo te diga que não é bem assim, que ele não é pra você, que ela é meio vagabunda demais. Não interessa. Sentir é a arma mais poderosa que temos. É onde se instala o nosso verdadeiro poder. O poder de Deus (Universo, Jesus, Energia) dentro da gente. É uma força imensa, enorme que nos toma e a tudo ao nosso redor, que nos faz crescer, expandir, multiplicar. E se Deus inventou uma sensação melhor do que essa, sinceramente, guardou só pra ele.Então, vamos parar com o amor mesquinho? O amor do tipo “eu te dou se você me der”? Não tem nada de amoroso nesta atitude. Não é sentir. É só um poder do ego que morre na praia porque não faz o menor sentido. Pessoas que não sentem são muito, muito perigosas. Tenho medo delas. Porque não tem a menor noção de quem sejam.Mais amor. Mais alma. Menos ego. Sempre.

Um grande amor tem de acontecer primeiro dentro de você!

Um grande amor tem de acontecer primeiro dentro de você!
:: Rosana Braga ::

Vejo muitas e muitas pessoas ávidas por viver um grande amor. Pessoas que desejam, sinceramente, encontrar a sua metade e ter com ela uma relação profunda, verdadeira, íntima e, sobretudo, prazerosa. No entanto, o desejo não basta!

Outro dia, conversando sobre o amor, alguém me disse que o segredo era ser a gente mesmo. Concordo e discordo! Discordo porque existem ainda muitas pessoas que não descobriram quem são e não sabem disso. Até sentem que não estão felizes, que querem mudar de vida, mas não se deram conta, ainda, de que precisam, antes de qualquer coisa, retirar todo o lixo que está encobrindo sua verdadeira essência.

Ao longo da vida, vamos acumulando uma série de idéias, conceitos, preconceitos, jeitos e crenças que, na verdade, não são nossos. Ouvimos de nossos pais, de nossos professores, amigos, namorados, entre outros. Não quero dizer que são idéias erradas, mas que apenas não são, necessariamente, as mesmas que as nossas. Somos genuinamente pessoas exclusivas, mas precisamos nos conhecer e nos observar para descobrir esta exclusividade.

Precisamos buscar nossos próprios conceitos, pensamentos e valores, sem nos basear em quem quer que seja, somente em nós mesmos, no âmago de nossa individualidade.
Ou seja, não posso concordar com o fato de que basta sermos nós mesmos se tem tanta gente que não se sabe, que não se conhece, que passa seus dias copiando outras pessoas. Mas concordo a partir do momento em que nos comprometemos em desvendar, a cada dia, um pouco mais de nós mesmos. Pois assim, poderemos nos comportar usando nossas melhores ferramentas, nossos dons e, enfim, encantar e atrair pessoas semelhantes à nós!

Quando não somos nós mesmos, quando nos comportamos de acordo com a opinião dos outros, estamos envolvendo e atraindo pessoas que se parecem com os outros e não com a gente. E assim, ser a gente mesmo termina significando bater na mesma tecla, obter os mesmos resultados e continuar insatisfeito, infeliz e sem a nossa metade.
Portanto, para viver um grande amor, é preciso que descubramos, em nós mesmos, esse grande amor, exatamente do jeito que o desejamos. Pense nisso. Como é o amor que você quer, detalhadamente? Uma pessoa romântica, carinhosa, gentil, atenciosa, paciente, companheira, sincera, disponível, enfim, como é essa pessoa?

Tudo o que acontece em nossas vidas nada mais é do que o reflexo do que temos dentro da gente. Isso é fato e basta que observemos atentamente. Talvez você não consiga enxergar esta verdade imediatamente, mas se começar uma terapia ou qualquer trabalho que propicie o autoconhecimento, vai passar a entender porque determinadas situações vivem acontecendo com você mesmo que, aparentemente, você não as deseje, você as evite!
Desta forma, tenha a certeza absoluta de que o nosso mundo interno é sábio e maravilhoso, mas que só teremos acesso a essa sabedoria e a todas essas maravilhas se buscarmos esses tesouros, se entrarmos em contato com eles. Caso contrário, tudo permanecerá no fundo de nossa alma, sem nunca ter sido visto, usado ou mostrado. E, nesta mesma proporção, jamais conseguiremos fazer refletir um mundo externo do jeito que gostaríamos.

A partir desses dados, observe se você tem o amor que deseja dentro de você, ou seja, se você saberia dar a alguém exatamente tudo o que gostaria de receber. Seja sincero consigo mesmo, admita seus medos, suas inseguranças e suas falhas. E se a sua resposta ainda não for consciente e positiva, trate de cultivar em você esse amor que tanto deseja e, quando menos esperar, ele surgirá (em carne e osso) na sua vida!

20 horas de silêncio por dia

20 HORAS DE SILÊNCIO POR DIA Fabrício Carpinejar  Não é hora de brincar. Não é hora de ser irônico. Não é hora de fazer piada. Não...