sábado, 8 de março de 2008

Rio das Pedras

"Tenho medo que a liberdade se torne um vício"


"Clonando"

Quando li esta frase, escrita em uma camiseta, não consegui ver o autor. Mas achei lindo. Parece meio Gabriel Garcia Marquez, não é? E isso ficou ecoando na minha cabeça. O dia todo. Me perseguindo, me fazendo pensar. Foi porque mal eu li essa frase me identifiquei totalmente com o conteúdo. Afinal, existe coisa mais viciante que a liberdade? Quando a conheci, há um tempo, eu tive medo. Tive medo da própria liberdade e medo de estar sozinha. Mas depois acabei descobrindo que eu nunca estive realmente sozinha. Eu sempre estive acompanhada de mim mesma. E... Quer saber do que mais? Eu gosto da minha companhia. Mas ainda assim tenho medo... Medo de gostar demais de estar sozinha. Dessa liberdade que vicia. Porque, sim, a liberdade vicia. É fácil habituarmo-nos a não dar satisfações. A não justificar os nossos atos e palavras. E custa-me pensar que posso me vir a tornar um bicho do mato. Tenho medo de perder a capacidade de responder às perguntas, medo de me irritar com banalidades cotidianas e medo de não ser mais capaz de dar uma justificação sem me sentir presa.

Ah, querem saber o autor da frase? É um jornalista português chamado Miguel de Sousa Tavares. A frase está no livro Rio das Flores. E o parágrafo inteiro é esse aqui: Tenho medo de uma coisa que tu não temes: que, depois de conhecer a liberdade, de ter viajado e vivido em países livres, não me volte a habituar a viver de outra maneira. Tenho medo que a liberdade se torne um vício, enquanto que agora é apenas uma saudade.

20 horas de silêncio por dia

20 HORAS DE SILÊNCIO POR DIA Fabrício Carpinejar  Não é hora de brincar. Não é hora de ser irônico. Não é hora de fazer piada. Não...